Era considerada o próximo Steve Jobs. Elizabeth Holmes fundou a Theranos, startup que prometia revolucionar a indústria das análises ao sangue em 2004. Tinha 19 anos. Dez anos depois, a empresa que era tida por muitos como a “Apple da medicina” valia 7,9 mil milhões de euros. Mas por pouco tempo. Em 2018, Elizabeth Holmes foiacusada de fraude e manipulação de resultados, os reguladores norte-americanos diziam que a empresa não tinha qualquer valor e a Theranos fechava portas depois de ter recebido cerca de 1,2 mil milhões de euros de vários investidores.

No novo documentário da HBO, “The Inventor: Out for Blood in Silicon Valley”, o realizador Alex Gibney mostra como caiu o império de Elizabeth Holmes. A análise à queda da Theranos estreia na HBO Portugal na terça-feira, 19 de março de 2019.

O objetivo do documentário é o de explicar tanto as fraudes e mentiras que arruinaram a carreira de Elizabeth Holmes como o modelo de investimento e desenvolvimento de Silicon Valley — casa de gigantes tecnológicos como a Google, Apple e Facebook. A história aproveita parte da investigação que John Carreyrou, o jornalista do The Wall Street Journal que tornou pública o que se passava nos bastidores da Theranos, publicou no livro “Bad Blood: Secrets and Lies in a Silicon Valley Startup“, em 2018.

“The Inventor: Out for Blood in Silicon Valley” usa entrevistas exclusivas, imagens inéditas e grafismos digitais para mostrar “como a invenção de Holmes foi atormentada por problemas desde o início, como a Theranos manipulou os resultados dos testes e defraudou os investidores, e o quão rígidos eram os acordos de partilha de informação, que impediam os funcionários de dizer a verdade”.

[o trailer de “The Inventor: Out for Blood in Silicon Valley”]

Um dos pontos centrais do documentário é a falsificação de resultados clínicos ligados ao principal produto da empresa: o The Edison. O dispositivo, dizia Elisabeth Holmes “poderia diagnosticar rapidamente e de forma barata, uma série de infeções e doenças, usando apenas amostras de sangue retiradas do dedo”. O instrumento podia ser usado por qualquer pessoa em casa, revolucionado “os cuidados com a saúde, reduzindo os custos de diagnóstico e fornecendo aos médicos e pacientes uma deteção precoce, potenciando o salvamento de vidas”.

A empresa foi apoiada por influentes políticos dos Estados Unidos da América, como George Shultz, Henry Kissinger ou James Mattis. Entre os maiores investidores da Oracle estão Larry Ellison, Ruperth Murdoch e Betsy DeVov (atual Secretária da Educação),

Elizabeth Holmes chegou a ser, em 2014, a mais jovem multimilionária do mundo, de acordo com a Forbes. Deixou a Universidade de Stanford aos 19 anos para lançar a Theranos, com o objetivo de “democratizar a saúde”. “Uma brilhante contadora de histórias, transmitindo inteligência e confiança”, como a descreve a HBO, negou durante anos as notícias que atacavam a empresa.