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Michael Jackson

Barbra Streisand emenda comentários sobre alegadas vítimas de Michael Jackson: “Sinto um remorso profundo”

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"Como todos os sobreviventes de ataques sexuais, vão ter de carregar isto consigo para o resto da vida. Espero que saibam que os respeito e admiro", disse agora. Antes, tinha desvalorizado o sucedido.

A cantora e atriz norte-americana tem uma carreira de prestígio nas áreas da música e cinema

Kevin Winter/Getty Images

A cantora e atriz de 76 anos Barbra Streisand, vencedora de dois Óscares e dez prémios Grammy, emendou na noite deste sábado (madrugada de domingo em Portugal) os comentários polémicos que tinha feito sobre os alegados abusos sexuais de Michael Jackson. Numa entrevista ao jornal britânico The Times, Barbara Streisand tinha desvalorizado o impacto dos alegados abusos do cantor, que acredita terem acontecido. Os dois homens alegadamente abusados em rapazes, dissera, “são casados e têm filhos, portanto foi algo que não os matou”. Agora, a atriz e cantora corrigiu as declarações, primeiro em declarações à agência de notícias The Associated Press e depois online.

“Lamento profundamente qualquer dor ou mal entendido que causei ao não escolher as minhas palavras sobre o Michael Jackson e as suas vítimas com mais cuidados. Não quis diminuir de forma alguma o trauma que estes rapazes experienciaram”, afirmou Barba Streisand, citada pela Australian Broadcasting Corporation.

Como todos os sobreviventes de ataques sexuais, vão ter de carregar isto para o resto das suas vidas. Sinto um remorso profundo e espero que o James [Safechunck] e o Wade [Robson] saibam que os respeito e admiro verdadeiramente por terem apresentado a sua verdade. Para ser clara como água, não há nenhuma situação ou circunstância em que seja aceitável alguém aproveitar-se da inocência das crianças”, referiu.

Num primeiro momento, a atriz e cantora pareceu desculpabilizar Michael Jackson pelos alegados abusos sexuais que este é acusado de ter cometido. Na entrevista ao The Times, apesar de afirmar acreditar “absolutamente” nas denúncias, Streisand disse: “Sinto-me mal pelas crianças. Sinto-me mal por ele [Jackson]. Acho que culpo os pais, que foram capazes de permitir que os seus filhos dormissem com ele”. A cantora tinha dito ainda: “Podemos usar a palavra ‘molestados’, mas aquelas crianças… elas estavam radiantes por estar lá [com Michael Jackson]. Ambos são casados e têm filhos, portanto foi algo que não os matou”, referiu.

As “necessidades sexuais” de Michael Jackson “eram as suas necessidades sexuais, vindas de seja qual for a infância que ele teve ou seja qual for o ADN que ele tinha”, tinha dito Barbra Streisand na entrevista. O realizador Dan Reed reagiu rapidamente através do Twitter: “Não os matou. Barbra Streisand, disseste mesmo isso?!”, escreveu.

As acusações de abusos e a devoção dos rapazes a Jackson

O cantor, que morreu em 2009 e tinha como alcunha “rei da Pop” graças a êxitos planetários como “Thriller”, “Billie Jean”, “Beat It” e “Man In The mirror”, foi acusado no documentário “Leaving Neverland” de ter abusado sexualmente de dois rapazes. O filme, dividido em dois capítulos e produzido pela estação norte-americana HBO, baseia-se sobretudo nos relatos dos queixosos. São ainda revelados alguns  documentos (como cartas carinhosas trocadas com os jovens) e gravações áudio de conversas que indiciam a existência de uma relação próxima à época de Michael Jackson com os rapazes.

Adrian McManus, a ntiga empregada da mansão de Michael Jackson (Neverland, que significa “Terra do Nunca” em português) em que os rapazes dormiram várias vezes e onde dizem ter sido alvo de abusos sexuais, corroborou as acusações em declarações ao tablóde inglês Daily Mail. McManus afirmou que a relação de Jackson com os rapazes era ”muito estranha de observar”. “Eles lutavam pelo amor do Michael. Disseram-me que se falasse disto na televisão contratavam um assassino para me sequestrar, cortar o meu pescoço e esconder o meu corpo. Ele era um manipulador e eu tinha medo. Não podia fazer perguntas”.

Os gestores do património de Michael Jackson apresentaram uma queixa de 53 páginas contra o documentário, antes mesmo da sua divulgação pública. ”É uma maratona unilateral de propaganda para explorar descaradamente um homem inocente que não está mais aqui para se defender”, lia-se no documento, citado pelo The Guardian.

Michael Jackson já tinha sido acusado de abusar sexualmente de crianças em 1993, quando Evan Chandler, o pai de um rapaz chamado Jordan Chandler, afirmou que o cantor abusava sexualmente do seu filho. O padrão dos alegados abusos a Chandler tinha semelhanças com o padrão denunciado por estas duas novas alegadas vítimas, Wade Robson e James Safechunck: o cantor apresentaria às crianças o seu mundo luxuoso e encantado, tornando-se amigo dos rapazes e das famílias. Iniciaria as relações numa base profissional, dado o talento dos rapazes para a dança, tornando-se cada vez mais íntimo, a ponto de ficar várias vezes a dormir no mesmo quarto das crianças.

Um dos aspetos mais perturbadores do documentário é o facto de Wade Robson e James Safechunck, os mais recentes a imputar a Michael Jackson abusos sexuais, relatarem a devoção que tinham ao cantor e a normalidade com que passaram a encaram os contactos sexuais íntimos. Terá sido essa devoção que levou a que tivessem dito, quando Michael Jackson foi acusado de abusos sexuais nos anos 1990, que o cantor nunca tinha lhes tinha feito qualquer abordagem de índole sexual.

A família do cantor reagiu com um comunicado recheado de críticas ao documentário, descrito como “linchamento público”: “Estamos furiosos que os meios de comunicação, sem rasto de prova ou evidência física, tenham decidido acreditar na palavra de dois mentirosos comprovados ao invés da palavra de centenas de familiares e amigos de todo o mundo que passaram tempo com Michael, muitos em Neverland, e que experimentaram a sua amabilidade lendária e generosidade global”, referiram, acusando ainda as alegadas vítimas de estarem apenas à procura de fama e dinheiro.

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