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Literatura

350 anos da publicação das cartas de amor de Mariana Alcoforado celebrados com congresso internacional e festival

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A primeira edição de "Cartas Portuguesas", atribuídas a uma freira de Beja, é de 1669. Aniversário vai ser celebrado com congresso internacional e um festival na cidade que viu nascer Soror Mariana.

Mariana Alcoforado nasceu em 1640 e morreu em 1723, em Beja

Getty Images/iStockphoto/Cannasue

A cidade de Beja vai receber, de 15 a 17 de novembro, um congresso internacional sobre Soror Mariana Alcoforado, a freira portuguesa que se acredita ter escrito as cinco cartas de amor publicadas há 350 anos, em Paris. Organizado por investigadores da Universidade Nova de Lisboa em colaboração com a Universidade de Massachusetts e com a Câmara Municipal de Beja, “Melancholy, Love and Letters”, ainda sem programa completo, espera reunir vários investigadores, portugueses e estrangeiros, em torno da obra de Soror Mariana, cuja paixão permanece “no centro da galeria de mitos de amor portugueses, paralelamente à tragédia de Pedro e Inês”.

“As letras obscuras de uma freira de Beja (…) obtiveram, desde a sua publicação não-autorizada em 1669, há 350 anos, um sucesso improvável na Europa e no mundo, provocando modas, instigando batalhas literárias e académicas e inspirando inúmeras imitações e tributos. (…) Três séculos e meio depois, chegou a altura de recuperar o texto, reavaliar a sua autoria e celebrar a fascinação exaustiva dos seus temas: vontade e desejo, expressado através da prática ancestral da oração; a penitência da auto-análise, treinada na rigorosa disciplina da confissão; e o ‘contemptus mundi’, raiz e pilar da condição de clausura”, é referido na apresentação do congresso internacional, a que o Observador teve acesso.

Além da natural apresentação de comunicações, o evento, que irá começar com uma conferência de abertura em Lisboa antes de passar para Beja, irá incluir uma visita ao convento onde Soror Mariana passou mais de 70 anos da sua vida e onde terá conhecido o alegado destinatário das suas cartas, o Marquês de Chamilly, e um tributo a Luís Amaro, poeta nascido no distrito de Beja. No âmbito do congresso, a Biblioteca Nacional de Portugal irá organizar uma exposição.

Antes disso, em junho, a cidade que viu Mariana nascer irá dedicar-lhe um festival inteiro, o Festival B. Haverá também outras iniciativas, ainda por divulgar, a começar com uma exposição permanente no Museu Regional de Beja (instalado no convento onde Soror Mariana viveu e morreu) intitulada 100 Passos, inaugurada em janeiro.

“Em sentido figurado, Mariana Alcoforado viveu a sua vida no espaço físico de 100 passos. Aquando do seu batismo na igreja de Santa Maria e logo aos 11 anos, quando ingressou no Convento de Nossa Senhora da Conceição, as distâncias muito curtas desde a casa de seus pais limitaram a sua vivência no espaço e na vida. A exposição 100 Passos procura retratar esse espaço, que embora curto, não coibiu o surgimento de uma enorme paixão e de um amor maior, ‘grande demais para um só ser’ como definiu o poeta Rainer Maria Rilke”, explicou a autarquia em comunicado.

Foi a 4 de janeiro de 1669 que o editor francês Claude Barbin publicou, em Paris, um pequeno livro anónimo chamado Lettres Portugaises traduites en François, que reunia cinco cartas escritas por uma freira portuguesa a um nobre francês por quem se tinha apaixonado e com quem tinha mantido um relacionamento. Originalmente não foi revelado quem é que tinha escrito as missivas. Só mais tarde é que a sua autoria foi atribuída a uma freira do Convento de Beja chamada Mariana Alcoforado. Esta é, ainda hoje, alvo de discussão.

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