O Dias da Dança (DDD) e o Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica (FITEI) uniram-se num só festival com vários espetáculos performativos que vão estar em cena na frente atlântica do norte, nos municípios do Porto, Matosinhos, Vila Nova de Gaia, e este ano pela primeira vez, em Viana do Castelo. A apresentação do DDD+FITEI decorreu esta quarta-feira, Dia Mundial do Teatro, no Clube dos Fenianos Portuenses, num cenário tropical que serviu para anunciar o “Foco Brasil” como tema central da programação.

O presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, referiu-se a este dia como “verdadeiramente especial” e “histórico, no panorama cultural da cidade do Porto e na região norte do país”, e afirma que parceria entre o DDD e o FITEI “espelha o compromisso com a cultura” e “vontades comuns de ir mais além”. O autarca descreveu a união entre os dois festivais como um “desafio ambicioso”, “mantendo o ADN” das duas mostras, numa “sinergia agregadora, orgânica e profícua” sem comparação até aqui. Rui Moreira destacou os 32 dias de programação com 66 espetáculos, 25 dos quais em estreia nacional, e que vão decorrer em cerca de 40 salas e espaços, com a participação de aproximadamente 650 elementos.

A presidente da Câmara de Matosinhos, Luísa Salgueiro, deu destaque  ao “maior festival de artes performativas do país”, que resulta de “uma vontade de fazer e articulação política”, para afirmar o Porto como região central no domínio cultural. A autarca considerou que os municípios “não podem valorizar as cidades para o futuro,  nem desenvolver a população, se não apostarem na cultura.”. Na sessão estiveram ainda as vereadoras da Cultura de Gaia, Paula Carvalhal e Viana do Castelo, Maria José Guerreiro, os outros dois concelhos que irão acolher vários espetáculos.

“Cumplicidade artística” e o “Foco Brasil” do DDD+FITEI

Tiago Guedes, diretor artístico do DDD, afirmou que “esta parceira só existe porque há uma enorme cumplicidade artística entre dois festivais e entre os dois diretores artísticos”. Já Gonçalo Amorim, do FITEI, destacou a capacidade do festival de teatro de “resistir e reexistir” ao longo dos anos, e reforçou a “importância brutal” da “parceria simbólica” entre os dois projetos, “numa fase em que o mundo anda sempre às avessas, os egos estão muito inchados”.

O DDD+FITEI contempla dois eixos comuns aos dois festivais: a “Semana +” e o “Foco Brasil”. Na “Semana +” o destaque vai para os projetos de criação nacional que serão apresentados a mais de 80 programadores e todo o mundo. No “Foco Brasil”, o destaque é dado à criação brasileira, aos seus artistas e espetáculos, e à evolução artística do país inserida num contexto de crise política.

A programação arranca com a dança do DDD, a 24 de abril. O Dias da Dança, que vai na quarta edição, mantém o modelo de apresentações de espetáculos em salas (DDD In), e na via pública (DDD Out), com a colaboração já habitual do Balleteatro. Além disso, estão previstos workshops para profissionais e estudantes, bem como, masterclasses, encontros, cinema e festas.

As coreografias e a encenação dão as mãos este ano, com a entrada em cena do FITEI, que já caminha para a 42ª edição, e que arranca a 15 de maio, com o tema “Brasil Descolonizado”. Gonçalo Amorim explicou que “O Brasil tem vivido tempos de forte atividade política que parecem não conseguir evitar o retorno a uma colonialidade que nega sistémica e estruturalmente a diversidade”. O diretor artístico do FITEI enalteceu que os artistas brasileiros têm tido a capacidade de resistir face à falta de financiamento e que têm lutado contra “a descolonização do pensamento”, com performances que destacam temas como o “afropolitismo”,”o empoderamento da mulher, do negro e do indígena”, numa “postura revolucionária”.

DDD, Dias da Dança

O principal destaque do DDD deste ano vai para a presença no Porto pela primeira vez e em estreia nacional do Ballet Ópera de Gotemburgo, com dois espetáculos em cena “Skid” e “Autodance”, no fecho do festival no Coliseu do Porto. Tiago Guedes, diretor artístico do DDD, destacou o “Skid”, como “um espetáculo de vertigem fantástico, muito emotivo e emocional, em perigo constante para os bailarinos e para o público”.

O DDD inaugura a 24 de abril com o “Looping: Bahia Overdub” no Teatro Rivoli, sendo este um espetáculo inserido no “Foco Brasil”, e que traz os bailes de rua de Salvador da Bahia ao Porto, como explicou Tiago Guedes.

O DDD engloba ainda a”dança contemporânea brasileira”, através de trabalhos de Lia Rodrigues (“Fúria”) ou Marcelo Evelin (“A Invenção da Maldade”), e ainda Alice Ripoll, além de obras do francês Christian Rizzo, do chinês Tao Dance Theater, da espanhola Amalia Fernández e do italiano Marco D’Agostin, entre outros.

Na produção nacional, o destaque vai para criações de Vera Mantero, Tânia Carvalho e Clara Andermatt, entre outros nomes mais jovens, como Ana Rita Teodoro, Ana Isabel Castro e Flávio Rodrigues.

FITEI, Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica 

Entre os destaques do FITEI está o regresso do argentino Federico León, que mostrou “Las Ideas”, em 2016, e agora traz “Yo Escribo, Vos Dibujás”, fruto de duas residências artísticas no Porto, mas também a companhia brasileira Lusco-Fusco, com “Tchekhov é um Cogumelo”, e “Preto”, de Márcio Abreu.

“D. Juan Esfaqueado na Avenida da Liberdade”, de Pedro Gil, está entre os destaques das produções nacionais.

“Democracia”, de Felipe Hirsch, mas também “Odisseia”, da Cia. Hiato, uma peça com cinco horas de duração, são os destaques do “Brasil Descolonizado”.