Estados Unidos da América

Chamada de emergência falsa em aposta no “Call of Duty” vale pena de 20 anos de prisão

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Tyler Barriss fez uma chamada falsa para o 112, desafiado para isso enquanto jogava Call of Duty. Polícia foi ao local indicado e matou, por erro, outro jovem. Tudo por uma aposta de 1,5 dólares.

Getty Images

Um norte-americano de 26 anos foi condenado esta sexta-feira a 20 anos de prisão por fazer chamadas falsas para o número de emergência dos Estados Unidos (o 911, equivalente ao 112 na Europa). Uma dessas chamadas, como conta a Associated Press, levou a polícia a matar um homem no Kansas e foi realizada na sequência de uma aposta entre o agora condenado e outro utilizador, enquanto jogavam online Call of Duty, um videojogo muito popular que tem como cenário a II Guerra Mundial.

Tyler R. Barriss, o jovem em causa, já se tinha declarado culpado em novembro de 2018 de um total de 51 acusações relacionadas com ameaças e chamadas falsas que realizou. Tyler aceitou o acordo judicial que lhe atribuía uma pena de pelo menos 20 anos, muito acima dos dez anos que são habituais neste tipo de crimes. Esta será a pena mais dura que alguma vez foi aplicada na sequência de um caso “swatting“, uma prática em que alguém relata uma emergência falsa num determinado endereço para que a equipa de SWAT (força especial de intervenção) vá ao local. Isto com o objetivo de perturbar e atingir a pessoa que vive nessa casa.

Tudo começou no dia 28 de dezembro de 2017 quando um jogador do Ohio desafiou Tyler Barris a fazer “swatting” a um jogador que vivia na cidade de Wichita, no Kansas. Tyler assim fez e ligou para a polícia a denunciar um falso de tiroteio com sequestro nessa mesma morada. No entanto, o endereço era antigo e, nessa casa, vivia uma pessoa que nada tinha a ver com a situação: Andrew Finch, de 28 anos. A polícia acabou por ir ao local, mas tudo correu mal. Quando Finch foi à porta, um agente atirou e acertou no homem, que estava desarmado, e o jovem acabou por morrer.

Esta não foi a primeira vez que Tyler fez este tipo de chamadas e até era conhecido no Twitter como sendo “bom nisso [do swatting]”, o que contribuiu para uma pena exemplar. No tribunal, esta sexta-feira, Tyler Barris pediu desculpas à família de Andrew Finch e assumiu total responsabilidade: “Se pudesse voltar atrás, voltaria, mas não há nada que eu possa fazer”, disse Barriss ao tribunal. E acrescentou: “Sinto muito.”

O advogado de Tyler Barriss lembrou em tribunal que o jovem tinha crescido num contexto familiar complicado. O pai morreu quando era jovem, a mãe abandonou-o e o seu melhor amigo era alguém que conhecia apenas online. Foi neste cenário que encontrou conforto na “comunidade de jogos”, onde se veio a tornar num “serial swatter“.

A família do jovem que morreu não se contenta. A irmã de Andrew Finch acredita que Tyler Barriss recebeu a pena que merecia, mas defende que a própria polícia terá ser responsabilizada. A família de Finch processou, aliás, a cidade de Wichita e a polícia. Já o agente que fez o disparo disse que teve a perceção, errada, de que o jovem tinha uma arma na mão no momento da abordagem.

O FBI reconhece a prática de “swatting” como uma ameaça crescente desde em 2008. O objetivo da pena aplicada também passa por servir de exemplo para os jogadores que praticam este tipo de atos, de forma a desincentivar esta prática.

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