Holocausto

E se já houvesse Instagram no tempo do Holocausto? Foi assim que a história de Eva Heyman foi contada

Uma pai e uma filha israelitas recriaram, através de "stories" do Instagram, a história verdadeira de uma adolescente que, tal como Anne Frank, também teve um diário nos tempos da repressão nazi.

A história foi recriada por atores e figurantes que utilizam roupa da época e baseou-se no diário que a própria jovem escreveu

D.R

Um banalizar da história ou uma forma inovadora e moderna de homenagear as vítimas do Holocausto? Um empresário israelita, Matti Kochavi, e a sua filha, Maya, decidiram recriar a história de Eva Heyman, uma rapariga judia húngara de 13 anos que foi enviada para Auschwitz em 1944, e contá-la através de um conjunto de instastories. O objetivo? Fazer com que os mais novos saibam mais sobre este período da História e que o que aconteceu não caia no esquecimento.

Ao todo, são 70 instastories que contam a história de Eva Heyman entre fevereiro de 1944 e a primavera desse ano, quando os tanques alemães chegaram à Hungria. “Os nazis conquistaram a maior parte da Europa e fazem coisas terríveis a nós, judeus, mas ainda não chegaram aqui…”, começa por dizer Eva no primeiro vídeo publicado.

A história foi recriada por atores e figurantes que utilizam roupa da época e baseou-se no diário que a própria jovem escreveu. Se no início Eva era uma jovem totalmente despreocupada e com uma vida típica da adolescência, os pequenos vídeos vão mostrando os momentos em que ela e sua família acabam por ser levados para Auschwitz num camião de gado, em junho de 1944. Em outubro desse ano, Eva foi morta numa câmara de gás. No seu diário, há uma última entrada: “Querido diário: não quero morrer, quero viver, ainda que seja a única pessoa a ficar aqui. […] Não posso escrever mais, querido diário, correm-me as lágrimas.”

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Eva.Stories Official Trailer

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A conta do Instagram foi lançada na quarta-feira, altura em que se assinalou o Dia da Memória do Holocausto, e já conta com mais de um milhão de seguidores. “A memória do Holocausto fora de Israel está a desaparecer”, referiu Kochavi numa entrevista, citado pelo The New York Times. “Pensamos em fazer algo mesmo disruptivo. Encontramos o diário e dissemos: ‘Vamos assumir que em vez de uma caneta e papel a Eva tinha um smartphone e documentou o que estava a acontecer’. Por isso levamos um smartphone para 1944″, acrescentou o empresário.

Mas, a opinião sobre esta forma de contar a história de Eva não é unânime. Em Israel, o projeto foi alvo de algumas críticas pelo uso da chamada “cultura selfie” e da sua linguagem visual para tentar transmitir os horrores do Holocausto, onde seis milhões de judeus foram assassinados, e acusado de estar a banalizar o Holocausto. “Estamos a falar de uma demonstração de mau gosto”, escreveu Yuval Mendelson, músico e professor.

Por outro lado, e na sua maioria, há também quem dê valor ao projeto, sublinhando que se trata de uma forma inovadora de aproveitar uma das ferramentas sociais mais atuais para chamar à atenção dos mais jovens. “Os adolescentes passam diariamente horas no Instagram, pelo que as redes sociais são o melhor veículo para alcançar novas gerações, para que estas saibam o que aconteceu, sejam ou não judeus”, defendeu Matti Kochavi, acrescentando que “são precisos novos modelos para que não se percam a memória e os seus testemunhos”.

“O produção que traz o Holocausto à vida dos olhos de uma jovem. Para qualquer pessoa que esteja nas plataformas de redes sociais ela parece tão real que é impossível não nos sentirmos por Eva”, escreveu no Twitter Pete Lerner, antigo porta-voz das Forças de Defesa Israelitas.

Também o primeiro-ministro de Israel já falou sobre o projeto no início desta semana. Benjamin Netanyahu defendeu que a recriação das vivências de Eva Heyman permite que as novas gerações saibam mais sobre o genocídio nazi e para que “o mundo se lembre e entenda”.

Ao todo, esta produção contou com mais de 400 pessoas, durou três semanas para ser filmada e teve um custo de quatro milhões e meio de euros. O Yad Vashem, o Centro de Memória do Holocausto em Jerusalém sublinhou que as redes sociais podem ser uma ferramenta eficaz para lembrar o Holocausto.

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