Caixa Geral de Depósitos

Joe Berardo. Desde a audição na AR que sou “o bode expiatório” de tudo que correu mal

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Joe Berardo quebrou o silêncio. Num comunicado a que o Observador teve acesso, o comendador diz que se "excedeu em algumas respostas", mas que não quis esconder-se "em ataques de amnésia seletiva".

ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Primeiro explica-se e a seguir passa ao ataque. Treze dias depois da polémica audição na Comissão Parlamentar de Inquérito sobre a Caixa Geral de Depósitos, Joe Berardo quebrou o silêncio. Diz-se “o bode expiatório” de “todos os males do sistema financeiro português desde 2007” e sublinha que não vai aceitar esta situação “passivamente”. Ou seja, vai à luta. Sobre os 962 milhões de euros que deve à banca (Caixa Geral, Novo Banco e BCP) nem uma palavra.

Mas vamos por partes. Berardo – que durante a comissão fez declarações como “eu, pessoalmente, não tenho dívidas” ou “não tenho nada” [referindo-se a uma suposta ausência de património] – começa por recordar as circunstâncias em que prestou depoimento, tentando afastar-se da classe política que lhe fez as perguntas.

“Durante 5 horas e 30 minutos fui sujeito a um intenso interrogatório regido por regras políticas que não domino, nem quero dominar”. E foi por isso mesmo, depreende-se da sua explicação, que “tenho de admitir que no calor da discussão me excedi, dando algumas respostas impulsivas e não devidamente ponderadas”. Não diz quais.

Ainda assim, o (ainda) comendador refere que “não foi certamente” sua “intenção ofender quem quer que seja, muito menos faltar ao respeito devido à Assembleia da República”. “Adoro o meu país e quem me conhece sabe que jamais faltaria ao respeito a um órgão de soberania”, sublinha.

E passa ao ataque. “Teria sido mais fácil para mim não responder às perguntas e esconder-me em ataques de ‘amnésia seletiva’, como tem acontecido com frequência nesta comissão. Não fiz, por respeito ao Parlamento e aos portugueses”. Uma direta aos muitos responsáveis [supervisores e também ex-responsáveis da Caixa Geral] que se têm escudado na memória para não responderem às perguntas dos deputados.

Berardo também salienta que não lhe perguntaram nada quanto ao verdadeiro objeto da comissão, a Recapitalização da Caixa e os Atos de Gestão da mesma. “Foi pena”, considera.

E face às muitas declarações de repúdio pelas suas declarações, desde o primeiro-ministro (que lhe censurou o desplante) ao Presidente Marcelo (que lhe pediu decoro) passando por quase todo o espectro político, Berardo diz-se o alvo fácil a abater.

“Desde essa data tenho servido de ‘bode expiatório’ de todos os males do sistema financeiro português desde 2007. Não vou aceitar passivamente”, considera o comendador, naquilo que pode ser uma referência à sua anunciada intenção de processar o Estado português pela audição no parlamento, que pediu para ser à porta fechada.

“Na minha vida já estive envolvido em muitas batalhas. Esta é apenas mais uma e, por certo, não será a última. Adoro o meu país e jamais foi minha intenção ofender os meus compatriotas”. É assim que Berardo termina o seu comunicado.

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