Dez anos, oito finais. O dérbi que já se tornou centenário também no futsal (apesar de ser recente, em comparação com outras modalidades históricas de pavilhão) continua a repetir-se nas grandes decisões do Campeonato, com apenas duas exceções de Sp. Braga e Fundão como “intrusos” nessa hegemonia dos rivais lisboetas. Desta vez não foi exceção, apesar de ambos terem sido obrigados a terceiro jogo nas meias-finais, frente a Fundão e Módicus, respetivamente. O que muda apenas é a equipa que termina a fase regular na primeira posição, com o Benfica desta feita a ganhar esse duelo por dois pontos aproveitando um empate caseiro dos leões frente o Quinta dos Lombos que no final acabaria por fazer toda a diferença. Mas há outra “regra”.

Nas últimas sete vezes em que Benfica e Sporting se encontraram no playoff final, a equipa que venceu o primeiro jogo acabou sempre por ser campeã. Foi assim em 2010, em 2011, em 2012, em 2013, em 2015, em 2016, em 2018. E com uma outra particularidade: até hoje, à exceção de 2010/11, foi o conjunto visitado que ganhou esses encontros iniciais. Se continuará a ser assim ou se haverá uma inversão da lógica, só o tempo o dirá. Do encontro inicial, que por ter começado às 21h30 acabou quase à meia noite, sobrou ainda assim uma conclusão: os leões conseguiram anular a vantagem das águias no “fator casa”, vencendo no Pavilhão da Luz por 5-3 após prolongamento e ganhando avanço para uma decisão que promete ser até à última.

Os rivais lisboetas encontravam-se pela quinta vez esta temporada (sendo que pode chegar ainda aos nove dérbis em 2018/19, caso a decisão chegue à “negra”) em jogos com histórias bem diferentes entre si: na Luz para o Campeonato, o Benfica venceu e convenceu (4-1); no João Rocha para o Campeonato, o Sporting venceu e convenceu (6-1); na terceira e última jornada da Ronda de Elite da Liga dos Campeões, os encarnados estiveram melhor mas os verde e brancos seguraram um empate (1-1) que lhes valeu a qualificação para a Final Four do Cazaquistão, onde se sagrariam campeões europeus; na final da Taça de Portugal, os ataques brilharam antes do triunfo dos leões nas grandes penalidades (5-5, 3-2 nos castigos máximos).

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Desta vez, tudo o que o encontro poderia ser na fase inicial mudou com pouco mais de 30 segundos de jogo: logo na primeira incursão ao meio-campo contrário, Guitta, guarda-redes brasileiro ex-Corinthians que já tinha inaugurado o marcador para o Sporting frente ao Módicus no jogo 3 da meia-final, inaugurou o marcador com um remate “de bico” rasteiro que bateu Roncaglio. Os leões estavam na frente e, à exceção de duas tentativas de Fits com perigo, foram controlando as iniciativas e explorando as saídas rápidas, com Dieguinho a ficar perto do 2-0 quase a meio da metade inicial (defesa de Roncaglio).

Aos poucos, com as subidas de Roncaglio para situações de ataque organizado em 5×4 ou jogadas combinadas tendo Robinho como protagonista inicial a desequilibrar, o Benfica conseguiu encostar mais o Sporting ao seu meio-campo e obrigou Guitta a uma série de defesas apertadas para canto, como aconteceu com André Coelho (por duas vezes) e Fernandinho. Todavia, nas poucas ocasiões em que o conjunto verde e branco conseguia ganhar vantagem nas transições rápidas, criava oportunidades flagrantes na cara do guarda-redes contrário, como aconteceu a seis minutos do intervalo por Cavinato. E com o 1-0 a manter-se, seria de novo Guitta a vestir o papel de herói na área contrária, combinando com Cardinal num passe e corte que o colocou na carreira de tiro para mais uma bomba sem hipóteses quase em cima do descanso.

Se a entrada do Sporting na primeira parte tinha sido quase de sonho, a do Benfica no segundo tempo foi um sonho a dobrar: numa situação de 54×4 com Roncaglio no meio-campo contrário, a bola girou de forma rápida até ao remate certeiro de André Coelho ainda dentro do primeiro minuto para o 2-1 e, três minutos depois, foi a vez de Fits desviar em cima de Guitta um remate de Chaguinha, fazendo o empate numa altura em que uma das bancadas centrais tinha mais pessoas a olhar para trás devido à confusão que se verificava naquela zona do recinto do que atentos ao que se passava na quadra. Os encarnados estavam melhor, dominavam e pareceram andar sempre mais perto da reviravolta do que de consentirem golos.

Aos poucos, e apesar da ligeira supremacia nos remates e na posse no meio-campo contrário dos encarnados, o Sporting foi conseguindo equilibrar de novo o jogo (que deixou de ter oportunidades flagrantes) e voltou à liderança do marcador, após um grande trabalho individual de Cardinal de costas para a baliza antes de conseguir rodar sobre Fábio Cecílio e disparar uma bomba junto ao poste mais próximo que surpreendeu Roncaglio. Logo na jogada seguinte, Guitta, com uma intervenção por instinto após desvio de Miguel Ângelo na área, evitou o empate mas o Benfica voltou mesmo assumir o comando e fez o 3-3 por Miguel Ângelo a pouco mais de sete minutos do fim, a desviar na esquerda após boa assistência de Cecílio. Houve mais oportunidades para os dois lados mas seria esse o resultado no final do tempo regulamentar, levando tudo para prolongamento.

Com o desgaste físico a começar a tomar conta de alguns jogadores (como André Coelho, talvez o caso mais evidente da fatura paga pelo esforço ao longo dos 40 minutos), qualquer erro poderia ser fatal e foi isso que aconteceu de novo no primeiro minuto no tempo extra, num golo caricato de João Matos que nasceu num alívio de Robinho que bateu no capitão leonino, foi contra Roncaglio e caiu no pé do número 9 para encostar à vontade para o 4-3. E até à troca de campo a oportunidade flagrante foi de novo do Sporting, com Merlim sem Roncaglio na baliza a ver Chaguinha desviar para canto quando estava isolado. A partida continuava assim em aberto mas uma bola longa de Guitta com assistência de Dieguinho para Erick quando os encarnados estavam a atacar 5×4 acabou por proporcionar o 5-3 que, a pouco mais de três minutos do fim, sentenciou o jogo, com os visitados a conseguirem apenas reduzir já dentro do último minuto com um golo de Fernandinho. Os leões ganharam mesmo vantagem num playoff que prossegue quinta-feira, no Pavilhão João Rocha, a partir das 21h55.