A Noruega é o país que lidera as vendas de veículos eléctricos. A sua aposta nos automóveis amigos do ambiente é, curiosamente, paga pela venda de petróleo retirado do Mar do Norte e que depois é queimado nos países vizinhos, sem que a incongruência pareça incomodar os nórdicos. O volume de incentivos oferecidos pelo Estado, aliados aos menores custos de utilização e à mentalidade “verde” que se respira no país – apesar de viverem do petróleo – justifica que metade dos veículos que se vendem sejam eléctricos ou híbridos plug-in.

Dos actuais 220.000 veículos eléctricos hoje a circular, numa frota total de 2,7 milhões de unidades, o país deverá atingir 1,9 milhões de carros a bateria em 2040, incremento que levou os responsáveis pela rede eléctrica nacional a fazer soar os alarmes, avisando para os custos brutais que vêm aí, a menos que se opere um milagre.

Segundo um estudo realizado pela Poyry, a pedido do Governo norueguês, quando todos esses automóveis eléctricos visitarem as estações de carga durante as horas de pico, a rede eléctrica não irá aguentar. Para ultrapassar a dificuldade, avisa a Poyry, será necessário investir mais de 11 mil milhões de coroas norueguesas, ou seja, mais de 1,1 mil milhões de euros.

Todos estes custos serão respeitantes à baixa tensão (cerca de 60%, para carregamentos em casa e no escritório) e 28% nos postos de carga de alta potência, ou seja, a carga rápida. As soluções para ultrapassar o problema passam por incentivar os clientes a recarregar durante a noite – para o qual não seriam necessários investimentos adicionais na rede –, o que é válido para os postos de baixa tensão mas não na carga rápida, utilizada sobretudo por quem está em viagem, que carrega quando necessita, a maior parte das vezes durante o dia e em horas de pico. Como complemento aos incentivos, há sempre a solução de incrementar os preços da energia no período de maior solicitação, para obrigar a que apenas os condutores desesperados com problemas de autonomia ousem pagar a factura. Resta saber qual será a opção do Governo, apesar de muitos apostarem numa solução de compromisso.