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IPMA proíbe apanha e venda de bivalves por causa da “maré vermelha”

Ministro do Ambiente diz que enquanto não houver resultado das análises as praias continuarão interditas por "precaução". Ainda não se sabe se as algas vermelhas são tóxicas ou não.

LUIS FORRA/LUSA

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  • Agência Lusa
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O Instituto Português do Mar e da Atmosfera recolheu amostras de bivalves nas praias do Algarve que estão interditas a banhos desde domingo devido à concentração de uma alga marinha que poderá ser perigosa para a saúde.

Em declarações à agência Lusa, Maria João Botelho, chefe da divisão de Oceanografia e Ambiente Marinho do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), adiantou que foram feitas colheitas de bivalves nas praias entre a Ilha do Farol e Vilamoura, no Algarve, que foram interditas devido ao aparecimento de uma maré vermelha.

“Estamos perante uma ‘maré vermelha” que ainda não conhecemos qual é a espécie de fitoplâncton produtora desta maré vermelha. Sabemos que é dinoflagelado, que pode ser ou não produtor de toxinas. Por isso, o que o IPMA está a fazer neste momento são colheitas de águas e está a identificar as espécies de toxinas que podem surgir nos moluscos bivalves por acumulação e ver se existe eventual perigo para o consumo”, explicou. Maria João Botelho adiantou também que foram recolhidas amostras na Ria Formosa.

Já o ministro do Ambiente e da Transição Energética considerou esta terça-feira que a interdição de banhos é uma “medida de precaução” enquanto não houver resultados das análises à qualidade da água.

Em resposta à deputada de Os Verdes, Heloísa Apolónia, que questionou o ministro sobre a “maré de algas vermelhas” e a sua perigosidade para os banhos, saúde pública e pescas, o governante afirmou que as medidas tomadas foram de precaução.

“Trata-se de um acontecimento natural sem a intervenção da atividade humana. Da nossa experiência, trata-se de um fenómeno que costuma demorar três a quatro dias a desaparecer”, explicou João Pedro Matos Fernandes, avançando que, enquanto não saírem os resultados à qualidade da água, os banhos “estão interditos”.

De acordo com a especialista do IPMA, os resultados das análises só deverão ser conhecidos no final da semana.”O IPMA está a preparar-se para interditar preventivamente a zona ao consumo de bivalves. Se existirem realmente níveis de toxinas acima do limite regulamentar, o consumo de bivalves é perigoso”, disse. Por isso, amêijoas, conquilhas, ostras e outras ‘conchas’ estão proibidas.

Maria João Botelho indicou ainda que o IPMA “está a agilizar todas as amostragens e depois serão feitas as análises”.

Além do IPMA, também a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) fez colheitas de água na maré vermelha.

Na segunda-feira, o diretor regional da APA, José Pacheco, adiantou à Lusa que as praias entre a Ilha do Farol e Vilamoura, no Algarve, estão interditadas a banhos devido a uma concentração de uma alga marinha que pode ser perigosa para a saúde.

“Foi detetada no domingo uma densidade significativa de uma espécie de alga vermelha que pode ser perigosa para a saúde pública, tendo sido decidido, em conjunto com a autoridade de Saúde, desaconselhar os banhos numa vasta área entre a Ilha do Farol e Vilamoura”, disse.

Não há consenso sobre o efeito que as algas podem ter na saúde pública. Ao Observador, Lígia Sousa, uma investigadora da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Lisboa garantiu que são perigosas enquanto que Alexandra Teodósio.  bióloga marinha e vice-reitora da Universidade do Algarve defendeu na TSF que são inofensivas.

Segundo José Pacheco, “não é para já conhecida a espécie em questão, tendo sido recolhidas amostras para análises, cujo resultado só será conhecido dentro de alguns dias”.

“Por precaução foi decidido solicitar à Autoridade Marítima Nacional a interdição de banhos nas praias algarvias onde se verifica uma maior densidade daquele organismo marinho que provoca uma mancha vermelha”, sublinhou.

O responsável regional da APA admitiu que outras praias podem ser afetadas nas próximas horas ou dias, uma vez que a mancha vermelha está a deslocar-se para o barlavento do Algarve, “verificando-se já uma concentração perto da praia da Rocha Baixinha, no concelho de Albufeira, estando a monitorização a ser feita em permanência”.

José Pacheco acrescentou que a interdição irá manter-se até que estejam asseguradas todas as condições de segurança para a saúde pública: “Não temos qualquer prazo previsto para que a situação fique normalizada”.

Por seu turno, fonte da Autoridade Marítima Nacional disse à Lusa que as praias começaram a hastear as bandeiras vermelhas no domingo, dia em que foi efetuado o alerta “a desaconselhar o banho de mar” por parte da entidade gestora do ambiente.

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