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“Não quero ter nada a ver com quem está a definhar o meu partido”. Críticos saem ou esperam para ver

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A semanas de fazer as listas de deputados, PSD movimenta-se. Entre os críticos, há quem salte fora antes de ser corrido, e há quem se posicione para novos voos. Teresa Morais sai com críticas duras.

Teresa Morais anunciou esta segunda-feira que não seria candidata a deputada e fez duras críticas a Rui Rio

JOSÉ COELHO/LUSA

As listas de candidatos a deputados só têm de estar prontas para entregar ao Tribunal Constitucional a 26 de agosto, mas no PSD já não se fala noutra coisa. As distritais mexem peças e desenham perfis para, no início de julho, apresentarem as suas propostas à direção nacional. Mas é Rui Rio quem escolhe os cabeças de lista, e depois de ter definido critérios que fazem a escolha depender da “lealdade” à Comissão Política Nacional, já ninguém espera que os críticos sejam agregados. Nos últimos dias, alguns têm saltado fora, pelo próprio pé, enquanto outros, sabe o Observador, vão “esperar para ver” a vassourada. Teresa Morais, ex-vice de Passos Coelho, foi a mais recente saída e foi dura para o atual líder.

“O Dr. Rui Rio e eu estamos, finalmente, em sintonia em alguma coisa: ele não conta comigo e eu não conto, seguramente, com ele”, começou por escrever num post no Facebook esta segunda-feira à noite, depois de ter feito o anúncio da sua saída à distrital de Leiria, na qual foi eleita. “Fica assim claro que eu, com toda a serenidade, me retirarei da linha da frente do partido com uma coincidência assinalável de pontos de vista. O Dr. Rui Rio rejeitou o contributo dos ditos “passistas”, como rejeitou desde sempre o legado de Pedro Passos Coelho e eu não quero ter rigorosamente nada em comum com quem está a definhar o meu partido, a excluir em vez de acrescentar, a tornar o PSD num partido ‘maneirinho e homogéneo'”, escreveu, acrescentando ainda que o partido de Rui Rio é “mediano e ideologicamente puro”, sendo um partido onde “só cabem amigos e acólitos subservientes”, não sendo esse o partido onde se revê.

Despedi-me hoje, grata e reconhecida, da minha gente de Leiria. Era chegado o momento de uma clarificação. E foi isso…

Posted by Teresa Morais on Monday, June 17, 2019

Além de Teresa Morais, também este sábado o atual deputado António Leitão Amaro (que é vice-presidente da bancada parlamentar e, como tal, considerado alinhado com a atua direção), anunciou que não será candidato a deputado na próxima legislatura, tendo já informado Rui Rio dessa decisão. “Agora é o momento de o tornar público, quando estamos em pleno processo de elaboração de listas”, disse, citado pela agência Lusa, garantindo que a decisão em nada tem a ver com a atual direção do PSD ou com o ciclo eleitoral do partido. É antes, disse, uma decisão relacionada com a “gestão de percurso de vida”, dizendo que não se trata de um afastamento da vida política porque “não é só no Parlamento que se faz política”.

Outros nomes, como Manuel Frexes, que era líder da distrital de Castelo Branco, Paula Teixeira da Cruz ou Maurício Marques, então líder da distrital de Coimbra, também já anunciaram que não serão candidatos na próxima legislatura. Mas há outro leque de atuais deputados, escolhidos no tempo de Passos Coelho e que não alinham com a estratégia de Rui Rio, que preferem “esperar para ver” em vez de saltarem fora antes de serem corridos. Ao que o Observador apurou, nomes como Hugo Soares, Miguel Morgado, Carlos Abreu Amorim, Nuno Serra, Amadeu Albergaria ou Duarte Marques não vão fazer como Teresa Morais, embora seja pouco provável que entrem nas listas. O mesmo já não deve acontecer com Pedro Alves, por exemplo, que lidera a distrital de Viseu e que, como tal, embora tenha saído de costas voltadas com Rui Rio depois de o ter apoiado nas diretas e não ter sido incluído nos órgãos, não deve ser excluído na próxima legislatura.

No topo dos críticos assumidos estão Hugo Soares e Miguel Morgado que também ainda não se pronunciaram sobre o seu futuro. Ao Observador, o ex-líder parlamentar e apoiante de Luís Montenegro remeteu para mais tarde qualquer comentário sobre o tema, e Miguel Morgado também não se quis pronunciar sobre o processo de elaboração das listas de candidatos a deputados. Para já, Miguel Morgado, que lançou recentemente um Manifesto para repensar o espaço político da direita não-socialista em Portugal, limita-se a dizer que acha importante que todas as vozes do PSD se levantem para participar na discussão programática e ideológica.

“Apelei, apelo e continuarei a apelar a todos no espaço não socialista que têm uma palavra a dizer (para a discussão que terá de se levar a cabo mais cedo ou mais tarde neste espaço) que devem pronunciar-se, participar, dizer ao que vêm”, disse, saudando nesse sentido a iniciativa de Pedro Duarte, que esta segunda-feira também apresentou o seu Manifesto X, que o coloca num espaço político diferente (ao centro) do defendido por Morgado (uma aliança das direitas). “A orientação não é a que eu tenho proposto nos últimos meses, mas da minha saudação o Pedro Duarte não se livra”, disse ainda ao Observador.

Em maio, a Comissão Política Nacional de Rio aprovou uma alteração aos critérios para a escolha de deputados deixando claro que os candidatos a deputados têm de estar alinhados com a “orientação estratégica da Comissão Política Nacional” e têm de ter uma “cooperação leal e solidária” com a direção. Tudo expressões que, como Observador noticiou na altura, não estavam nos critérios usados pelo anterior líder do PSD, Pedro Passos Coelho, e foram incluídos agora pela nova direção. Nesses novos critérios, o presidente do PSD estabeleceu ainda que os deputados têm de ter “disciplina de voto” em assuntos definidos pela direção e retirou da deliberação o critério que obriga o candidato a deputado a estar subordinado a “valores éticos inequívocos”.

A verdade é que, embora todos os críticos falem, para já, em tempo de “unidade” e todos rejeitem a ideia de criar uma crise na liderança do PSD, os críticos alinham-se e fazem prova de vida para poderem dizer “presente” depois das legislativas. “Temos eleições estatutariamente previstas para dezembro, são essas as únicas que interessam”, diz um dos putativos candidatos à liderança ao Observador, depois de, ontem, na apresentação do seu movimento, também Pedro Duarte ter apontado baterias para o pós-legislativas: “Há congresso em fevereiro”, disse.

Luís Montenegro, o challenger, continua a ser o mais bem posicionado depois de ter desafiado Rui Rio para diretas em janeiro. Apesar de ter perdido na contagem de espingardas, há no PSD quem acredite que o fez na altura certa e que pode regressar quando Rui Rio tiver um mau resultado nas legislativas. Até lá, segundo noticiou o Expresso, vai estudar “liderança” para Paris. Jorge Moreira da Silva, ex-ministro do Ambiente de Passos Coelho, é outro dos nomes que tem saltado para a ribalta. Na semana passada, numa entrevista à RTP3, fez duras críticas a Rui Rio, defendendo que devia ter havido uma clarificação depois do “pior resultado de sempre” nas Europeias, pedindo que o PSD “mude de vida”, e mostrando-se disponível para a corrida.

Até lá, é tempo de Rui Rio fazer listas de deputados e apresentar o programa eleitoral. Mas, de acordo com Rio, o prazo para o programa eleitoral conhecer a luz do dia é “meados/finais de julho”. Até lá, perante a ausência de propostas programáticas concretas, os críticos aproveitam para lançar as suas “ideias” e “causas”. Quanto às listas, até dia 1 de julho as distritais enviam à direção os nomes propostos, sendo que nas semanas seguintes é tempo de acertos. Final de julho é a meta: aí haverá listas de candidatos a deputados e ideias e propostas do PSD para o país. Até lá, prevalece a paz podre.

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