Rádio Observador

Caixa Geral de Depósitos

PSD faz 56 perguntas a Sócrates. Quer saber se recebeu dinheiro do BES, Grupo Lena ou Vale do Lobo

183

Vara na Caixa, Vale do Lobo, La Seda, a guerra no BCP, a OPA sobre a PT e os alertas sobre a gestão da Caixa. PSD até pergunta se Sócrates recebeu dinheiro de grupos privados.

MANUEL FERNANDO ARAÚJO/LUSA

O PSD apresentou 56 perguntas a colocar ao ex-primeiro-ministro José Sócrates no quadro da comissão parlamentar de inquérito à gestão da Caixa Geral de Depósitos. A longa lista do requerimento social-democrata arranca com o pedido de explicação de Sócrates para se recusar a ir presencialmente à comissão de inquérito, tendo optado responder por escrito e acaba a perguntar se o “Sr. Eng. recebeu quantias monetárias ou outros bens por parte do Grupo BES, Grupo Lena ou Vale do Lobo?”

A opção de responder por escrito é uma prerrogativa do primeiros e antigos primeiros ministros que tem sido a regra nos esclarecimentos dados em comissões de inquérito. A ida de Sócrates seria por isso inédita, pelo menos na história recente dos inquéritos parlamentares.

As perguntas a remeter ao ex-primeiro-ministro terão de ser entregues pelos partidos ao presidente da comissão de inquérito até ao fina desta sexta-feira e as respostas a receber serão uma das mais importantes peças finais desta comissão de inquérito, que aguarda também o envio de alguns documentos.

Os social-democratas percorrem praticamente todos os temas centrais desta comissão de inquérito cujas audições terminaram esta quarta-feira. Desde as nomeações para a Caixa Geral de Depósitos, logo após a substituição do ministro das Finanças por Teixeira dos Santos, em 2005, e que envolveram Armando Vara e Carlos Santos Ferreira, até à passagem destes para a gestão do BCP e o envolvimento do banco público e do próprio Governo na guerra de poder no banco privado, onde tem destaque o empréstimo da CGD a Joe Berardo.

As perguntas passam ainda por outros temas quentes da governação de Sócrates, aproximando-se de áreas sensíveis porque remetem para a acusação da Operação Marquês. São os casos de Vale do Lobo, onde se questiona se Armando Vara funcionava como comissário político na administração da CGD, e da oferta pública de aquisição (OPA) da Sonae sobre a PT, chumbada com a ajuda do voto da Caixa, e onde se pergunta a Sócrates se discutiu o tema com Ricardo Salgado ou deu indicações aos gestores da CGD. Na última pergunta a ligação à acusação da Operação Marquês é direta.

O antigo primeiro-ministro será também interrogado sobre o investimento da Artlant, o projeto PIN (potencial interesse nacional) da espanhola La Seda que o Governo socialista apoiou, e com ajuda do dinheiro do banco público, onde se pergunta se o Governo deu alguma orientação ao banco do Estado para financiar.

Sócrates irá ainda responder sobre se teve conhecimento e como a tutela acionista lidou com os alertas que lhe chegaram em relação à gestão da Caixa Geral de Depósitos, endereçados pelo ex-presidente do conselho fiscal, Paz Ferreira, e pelo antigo presidente do banco Faria de Oliveira, que apontava para a exposição excessiva da Caixa ao BCP e ao mercado acionista.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros de órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: asuspiro@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)