O Ministério Público (MP) acusou de burla José Viamonte de Sousa, antigo diretor-geral  do departamento de private banking do BPN, por se ter apropriado de 1,2 milhões de euros num negócio milionário que envolve a venda de obras de Joan Miró, avança esta quinta-feira o jornal Público.

Em 2003, o BPN comprou 41 quadros do pintor e escultor espanhol  por 17 milhões de euros, só que os proprietários, de origem japonesa, apenas receberam 5,1 milhões de euros. Os restantes 11,9 milhões terão sido pagos como comissões a vários intermediários. É o caso de José Viamonte de Sousa, assim como de um intermediário espanhol, Julian Cierva La Calle, que terá recebido mais de 5,5 milhões de euros em comissões. Agostinho Cordeiro, negociante de arte, também foi acusado de branqueamento de capitais.

O negócio é revelado no despacho de acusação de 24 de maio de 2019 e dá conta de que, em dezembro de 2002, José Viamonte de Sousa negociou a aquisição de 41 obras de Joan Miró, em representação do BPN, com dois intermediários espanhóis, Julian Cierva la Calle e José Enrique Navarro Nuno de La Rosa.

O preço acordado foi de 17 milhões de euros e o pagamento seria feito através de um offshore, a Zevin-Holdings, detida pela Marazion Holding, que por sua vez pertencia ao BPN. Só que a venda foi diretamente cobrada ao BPN e quem iria emitir a fatura era a Negotrade, empresa através da qual Cierva de la Calle intermediou as negociações, e que se dedica à venda de explosivos industriais (e não obras de arte). Uma vez na conta da Negotrade, o dinheiro foi depois repartido. Por exemplo, o Conde De Ramel, no Mónaco, recebeu 3,2 milhões de euros.