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Alimentação

Apenas 3% das máquinas de venda automática no ensino superior têm fruta fresca, diz estudo

Foram analisadas 135 máquinas em todo o país. Todas tinham doces e apenas uma em cada três disponibilizava opções saudáveis. Deco diz que é preciso mudar disponibilidade alimentar destas máquinas.

O estudo mostrou que os refrigerantes estão presentes na mesma proporção que a água (93%)

ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Apenas 3% das máquinas de venda automática das instituições de ensino superior analisadas num estudo nacional disponibilizam aos estudantes fruta fresca, mas todas têm bolos, bolachas e chocolates.

Segundo o estudo, realizado pela Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (Deco), em parceria com a Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto, todas as 135 máquinas de venda automática analisadas em todo o país tinham doces, 61% disponibilizavam snacks salgados e apenas uma em cada três tinha como opção as sanduíches mais saudáveis.

Os responsáveis pelo estudo, que visitou 100 instituições de ensino superior em todo o país, encontraram iogurtes sem adição de açúcar em apenas 8% das máquinas e fruta fresca em apenas 3%. Os refrigerantes estão presentes na mesma proporção que a água (93%).

Em declarações à agência Lusa, Rita Luís, da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto, sublinha a importância de disponibilizar aos estudantes universitários, muitos deles deslocados de casa, uma oferta alimentar saudável.

“Os estudantes universitários estão a iniciar a sua vida adulta, há alterações às rotinas, mais stress e está comprovado que têm práticas e estilos de vida menos saudáveis. Ora, se a oferta alimentar disponível não for a mais adequada vai contribuir para que haja hábitos alimentares menos saudáveis ao longo da vida adulta”, afirmou.

A investigadora defende ainda que seria importante regulamentar a oferta alimentar destas máquinas nas instituições de ensino, à semelhança do que já existe para as máquinas do género colocadas nas instituições do Serviço Nacional de Saúde,

“Era importante que a oferta alimentar fosse regulada com enquadramento legislativo porque ainda não há orientações nem nenhum documento de caráter legislativo publicado para as máquinas de venda das instituições do ensino superior”, afirma.

Analisando a composição nutricional com o descodificador do rótulo, em média, os alimentos analisados têm classificação vermelha (a pior) para o açúcar, gordura e gordura saturada e semáforo amarelo para o sal.

“Se esta oferta alimentar das máquinas de ‘vending’ do ensino superior for analisada à luz da regulamentação já existente para as instituições do SNS, mais de metade (64%) dos alimentos e bebidas seriam mesmo considerados proibidos”, lembram os responsáveis, que analisaram 5.340 produtos alimentares. Todas as máquinas analisadas no estudo continham “produtos proibidos” e numa das máquinas todos os produtos disponíveis seriam classificados como “não permitidos”, sublinham.

Quanto às máquinas de bebidas quentes analisadas, todas apresentavam um valor máximo de açúcar disponibilizado superior ao recomendado pelo despacho que regulamenta a oferta das máquinas para o SNS (5g). A média de açúcar nas bebidas quentes era de 11g, mais do dobro do valor recomendado.

Olhando para os resultados deste estudo, a Deco também defende que é preciso modificar a disponibilidade alimentar das máquinas de venda automática criando um enquadramento legislativo próprio, à semelhança do que existe para o SNS. A defesa do consumidor considera ainda necessário uma maior promoção da literacia alimentar e nutricional da população universitária, que está numa fase da vida importante para a autonomia de escolha e tomada de decisões de consumo que terão impacto na sua saúde.

A Deco pede ainda aos agentes económicos que trabalhem em conjunto para que o fornecimento das máquinas automáticas que disponibilizam produtos alimentares garanta a oferta de opções saudáveis e uma maior liberdade de escolha pelo consumidor.

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