A luta contra o estigma da saúde mental transformou a vida da luso-canadiana Ema Dantas, uma avó de 52 anos, que quer completar a subida aos oito cumes mais altos do mundo como forma de sensibilizar a opinião pública.

Natural de Miranda do Douro (distrito de Bragança), a viver no Canadá desde os quatro anos, Ema Dantas iniciou em 2017 uma aventura que termina em 2020 quando subir aos oito pontos altos do planeta.

“A minha mãe passou por uma depressão ao longo de 26 anos. Ela morreu há seis anos (com 66 anos). Foi uma doença que passou despercebida. Não teve a ajuda que necessitava e muitos de nós passamos por isso. É necessário alertar a sociedade a questão da saúde mental”, afirmou a empresária.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) “uma em cada cinco pessoas” terá problemas de saúde mental e Ema Dantas reconhece que, na adolescência, passou “por isso”, superando-o “com algumas dificuldades”, mas muitas pessoas “não o conseguem” e “necessitam de ajuda”.

A luso-canadiana criou em 2017 a fundação Peaks for Change (Cumes da Mudança), uma instituição sem fins lucrativos sobre a saúde mental, e, desde então escala os pontos mais altos do mundo para angariar apoios.

Para já foram alcançados a Pirâmide Carstensz (Indonésia, 4.884m), o Monte Kilimanjaro (Tanzânia, 5.895m), o Elbrus (Rússia, 5.642), o Monte Vinson Massif (Antártida, 4.892), Aconcágua (Argentina, 6.961) e Denali (Estados Unidos, 6.190).

Para completar o desafio, Ema Dantas espera até final deste ano atingir os 2.228 metros do Monte Kosciuszko (Austrália) e, em 2020, terminar de escalar os 8.848 metros do Monte Evereste (Nepal e Tibete).

No dia 28 de junho, Ema Dantas atingiu em 12 dias o topo do Monte Denali, o mais alto da América do Norte, aquele que considerou o “maior desafio até aqui”.

“Quando terminar, quero entregar cerca de 700 mil dólares canadianos (477 mil euros) ao Centro de Vícios e Saúde Mental – CAMH de Toronto, que será canalizado para um novo centro que vai abrir em 2020 e que vai assistir pessoas com problemas de saúde mental”, sublinhou.

A coragem e determinação de Ema Dantas fazem-na “superar” o medo por alturas com um objetivo claro: “fazer a diferença por uma sociedade justa”.

“Continua a haver muito estigma na saúde mental e ainda há muito trabalho pela frente. Se uma avó de 52 anos consegue subir aos pontos mais altos do mundo, qualquer pessoa pode acabar com o estigma da saúde mental e enfrentar este problema como uma doença normal”, realçou.

A empresária treina diariamente, três vezes por semana com a ajuda de um instrutor privado, algo que já faz parte da sua vida para “cumprir uma promessa” que agora “é um objetivo pessoal”.

“No verão de 2020, em princípio o objetivo é cumprido. Mas o trabalho não fica por aqui. Vamos continuar a trabalhar no tema da saúde mental não só no Canadá, mas também em países do terceiro mundo, educando crianças, adolescentes e mulheres, a lidarem com esta doença”, concluiu.

Apenas dois portugueses conseguiram atingir os Cumes do Mundo, o montanhista João Garcia (1999) e o piloto e alpinista Ângelo Felgueiras (2010), sendo que Ema Dantas será a primeira mulher portuguesa, caso tenha sucesso.