O ministro do Interior romeno demitiu-se na sequência do caso de uma jovem de 15 anos que foi morta pelo sequestrador após ter chamado a polícia por três vezes. Alexandra Macesanu foi violada, morta, esquartejada e queimada por um homem de 65 anos. Antes disso, a jovem conseguiu ter acesso ao telemóvel do sequestrador e contactou a polícia em três ocasiões. Mas quando as autoridades chegaram ao local, 19 horas depois dos telefonemas, era tarde demais.

NicolaeMoga, o ministro do Interior, já tinha demitido os chefes das Polícias nacional e local: “Propus a demissão do chefe de polícia e do presidente da Câmara do departamento de Olt porque são necessárias medidas drásticas”, anunciou o político quando o caso se tornou conhecido. A morte de Alexandra, que está relacionada com o desaparecimento de uma outra rapariga em abril, também já levou à demissão do diretor do Serviço de Telecomunicações Especiais, a entidade que gere o número de chamadas urgências na Roménia — o 112, o mesmo que em Portugal.

Uma semana depois, Nicolae Moga também deixou o cargo que assumiu a 24 de julho — apenas quatro dias antes de a morte de Alexandra Macesanu ter chegado à imprensa internacional: “Tomei esta decisão para salvar parte do prestígio desta instituição, que foi muito afetada após as atividades deficitárias de alguns dos seus funcionários”, anunciou em conferência de imprensa, cita a imprensa romena.

Alexandra Macesanu tinha sido sequestrada e mantida em cativeiro, com as mãos e pés atados por uma corda e a boca tapada com fita adesiva, numa vivenda em Caracal, na Roménia, por um homem chamado Gheorghe Dinca, um engenheiro mecânico conhecido das autoridades. Quando o presumível assassino saiu para ir à farmácia, Alexandra telefonou para o 112 e indicou a morada que tinha encontrado num cartão de visita. Não fugiu porque no quintal da casa estavam cães que lhe pareciam perigosos.

Enquanto Alexandra Macesanu ainda estava ao telefone com as autoridades, pela terceira vez desde o homem tinha saído, Gheorghe Dinca chegou a casa, encontrou a rapariga e matou-a. Quando as autoridades chegaram à vivenda, detiveram Gheorghe Dinca — que entretanto já confessou ter assassinado Alexandra e a rapariga desaparecida em abril — e encontraram restos mortais e objetos pessoais da jovem.

Mas isso só aconteceu 19 horas depois de Alexandra ter pedido ajuda. Antes de encontrarem a morada correta, a polícia ainda vasculhou três moradas erradas. A morada certa foi detetada 12 horas depois dos telefonemas, mas as autoridades decidiram esperar por um mandado de busca antes de invadir a propriedade — uma diligência desnecessária em casos de perigo de vida. Esse mandado só chegou na manhã seguinte, 19 horas depois da última chamada de Alexandra, que, por essa altura, já tinha sido morta.