A maior floresta tropical do mundo e com a maior biodiversidade registada numa área do planeta continua a arder. E depois de o Presidente francês ter apelado para que os incêndios na Amazónia fossem debatidos na cimeira do G7, que se realiza este fim de semana em Biarritz, no sudoeste de França, Jair Bolsonaro partiu ao ataque. “Lamento que o Presidente Macron procure instrumentalizar uma questão interna do Brasil e de outros países amazónicos para ganhos políticos pessoais. O tom sensacionalista com que se refere à Amazónia — apelando até com fotos falsas — não contribui em nada para a solução do problema“, escreveu no Twitter.

Bolsonaro sublinhou que “o governo brasileiro segue aberto ao diálogo, com base em dados objetivos e no respeito mútuo”, dizendo ainda que a sugestão de Emmanuel Macron, de que assuntos amazónicos sejam discutidos no G7 sem a participação dos países da região, “evoca mentalidade colonialista descabida no século XXI“.

Já num vídeo em direto para as redes sociais, o Presidente brasileiro admitiu ainda a falta de meios disponíveis para combater os incêndios na região, lançando até críticas à sugestão do Ministério da Justiça e Segurança Pública de enviar 50 homens da Força Nacional para combater o fogo. “Não tem recurso. Agora, mandar 50 homens para lá, pelo amor de Deus, não tem cabimento. Ínfimo isso aí”, sublinhou.

A ajuda vinda dos países vizinhos, entretanto, tem começado a chegar. O Presidente chileno, Sebastián Piñera, ofereceu “dois ou três aviões” para ajudar no combate aos fogos na região e o presidente argentino, Mauricio Macri, revelou ter conversado com Bolsonaro para se informar da situação dos incêndios e para pôr à disposição do Brasil e da Bolívia a cooperação argentina. “Estamos comprometidos a ajudar os nossos vizinhos a combater os incêndios florestais”.

“Esses países não mandam dinheiro por caridade. Mandam com interesse. Para atingir a nossa soberania”

À semelhança do que tem acontecido nos últimos dias, Bolsonaro voltou a lançar críticas às organizações não governamentais (ONG), argumentando que estas não trabalham para o bem do Brasil, mas “para quem paga”. “Esses países não mandam dinheiro por caridade. Espero que dê para entender isso daí. Mandam com interesse. Para atingir a nossa soberania”, afirmou o Presidente brasileiro. Ainda antes, e questionado se os fazendeiros poderiam estar na origem das queimadas, Bolsonaro respondeu: “Pode, pode ser fazendeiro, pode. Todo mundo é suspeito, mas a maior suspeita vem de ONGs”.

Devemos dar uma reposta para o mundo e mostrar que somos responsáveis e maiores para dizer que a Amazónia é nossa. Caso contrário, vocês sabem o que pode acontecer”, alertou ainda Jair Bolsonaro.

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), entre janeiro e o dia 19 de agosto foi registado um aumento de 83% das queimadas em todo o Brasil em relação ao período homólogo do ano passado. O líder brasileiro admite que o governo está à procura de uma solução para terminar com estas queimadas e apelou aos brasileiros para denunciarem todas as suspeitas que tiverem. Mas também deixou uma mensagem aos mais críticos: “Fico indignado em ver gente fazer uma campanha com o seu próprio país sem saberem o que está a acontecer”.

A Amazónia tem cerca de 5,5 milhões de quilómetros quadrados e inclui territórios do Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa (pertencente à França).

Colômbia propõe projeto conjunto para prevenir mais incêndios na Amazónia

Esta quinta-feira, a Colômbia propôs aos homólogos do Brasil, Bolívia, Equador e Peru a realização de um “projeto conjunto” de prevenção face à catástrofe ambiental que se gera na zona brasileira da Amazónia devido aos incêndios.

“Propomos a realização de um projeto conjunto para avançar com a prevenção dos incêndios florestais na Amazónia e construir uma agenda conjunta para fazer face aos efeitos das alterações climáticas, da desflorestação e da degradação dessa zona”, disse o ministro colombiano do Ambiente, Ricardo José Lozano, em conferência de imprensa.

Para este projeto, o ministro afirmou que “já tem resultados muito bons na luta contra a desflorestação” e lembrou que o país registou 197.159 hectares de áreas desflorestadas de bosques naturais no ano passado, o que supõe uma redução de 22.814 hectares face aos 219.973 de 2017.

O projeto proposto pela Colômbia inclui “empreendimentos com comunidades locais, prevenção e pactos para as florestas nas quais a comunidade concorda em não realizar práticas proibidas em épocas de seca como o mês de agosto”, exemplificou o governante sul-americano.

Fim de semana vai ser marcado por manifestações em defesa da Amazónia

A situação dos incêndios na Amazónia levou também a que fossem organizadas várias manifestações em defesa da preservação da região espalhadas um pouco por todo o mundo. No Brasil são pelo menos dez cidades que já têm protestos agendados: São Paulo, Santos, Rio de Janeiro, Curitiba, Salvador e Atalanta esta sexta-feira e em Belo Horizonte, Manaus, Ribeirão Preto, São Carlos, Natal e Porto Velho este sábado.

No domingo, há também manifestações agendadas para algumas capitais europeias: Londres, Paris, Madrid, Lisboa e Dublin.