A Polícia de Segurança Pública (PSP) passou 111 multas em seis meses a condutores das trotinetas elétricas, avança o Jornal de Notícias. A maior parte das infrações foram registadas por estacionamento em locais destinados a trânsito de peões e por condução sob efeito de álcool. Aliás, entre os 36 condutores que conduziam as trotinetas sob efeito de álcool, 31 tinham uma taxa-crime de álcool no sangue.

Como recorda o Jornal de Notícias, quem conduzir uma trotineta, que é considerada um velocípede, sob o efeito de álcool sujeita-se a uma multa que pode ir dos 125 aos 1.250 euros. E quem tiver uma taxa de álcool no sangue igual ou superior a 1,2 gramas por litro já incorre num crime que é punido com pena de prisão de até um ano. Isto ainda não foi interiorizado pelos utilizadores de trotinetas, acredita Carlos Barbosa, presidente do Automóvel Clube de Portugal (ACP): “Encaram-nas como um brinquedo”, comentou ao Jornal de Notícias.

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Os dados da PSP foram recolhidos ao longo de meio ano apenas nos quatro distritos portugueses onde as trotinetas elétricas são mais utilizadas — Lisboa, Porto, Faro e Coimbra. Foi na capital que se registou o maior número de acidentes (48) e também o maior número de feridos na sequência deles (35). Na soma dos casos registados nos quatro distritos, houve 74 acidentes no total, que resultaram em 55 feridos.

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As estatísticas levam Carlos Barbosa a pedir “mais sensibilização para a utilização das trotinetas por parte das autarquias e do Estado”: “Há um longo caminho a percorrer nesta temática porque a coexistência entre os veículos não tem sido pacífica”, analisou em entrevista ao JN. Arlindo Donário, especialista em segurança rodoviária e professora da Universidade Autónoma de Lisboa, concorda: “Tem de haver mais fiscalização”. E conclui: “Têm de ser atribuídas responsabilidades porque o que se passa não é aceitável em nenhuma cidade”.