O filho do ex-ministro do partido Conservador britânico Nigel Waterson foi constituído arguido e detido este domingo pela morte de Alfie Lamb, uma criança de três anos e meio. Stephen Waterson terá asfixiado a criança com o banco automático do carro, noticia o The Guardian. O detido de 26 anos, que era namorado da mãe da criança, confessou o crime antes de ir pela segunda vez a tribunal.

Stephen Waterson terá movido o banco do passageiro para trás e esmagado a criança, provocando a sua asfixia enquanto estava sentada no chão do Audi descapotável, aos pés da mãe, Adrian Hoare, de 24 anos. O motivo terá sido um episódio de choro da vítima. A criança ainda foi assistida, mas acabou por  morrer três dias depois no hospital devido lesões irreversíveis no cérebro, decorrentes do esmagamento e asfixia, segundo informações da BBC.

O caso, que teve início em 2018, teve diversas fases e Waterson terá de enfrentar agora pela segunda vez o julgamento. Na primeira tentativa, o júri não conseguiu alcançar um veredito, já que o arguido e a mãe da criança mentiram às forças policiais na primeira investigação para encobrir o caso.

Neste domingo, Waterson confessou a culpa e assumiu responsabilidade pela morte por negligência da criança, além de ter sido condenado por intimidação a uma testemunha.

A mãe de Alfie foi condenada, em maio, a dois anos e nove meses de prisão por crueldade infantil. Adrian Hoare estaria sentada no banco de trás, com o filho aos pés, quando aconteceu o crime. Hoare, inicialmente, terá dito à equipa de socorro que estava num táxi quando Alfie foi atacado, mas, depois, confessou o caso à meia-irmã e gravou um depoimento que entregou no tribunal. Terá sido pressionada pelo namorado que ameaçou fazê-la  “desaparecer”,  caso não mantivesse a história que tinham fabricado.

No entanto,  e segundo disse o investigador encarregado do caso, Simon Harding, à BBC “Stephen Waterson e Adrian Hoare, mesmo depois da morte de Alfie, estavam mais preocupados em estarem juntos.”

O crime aconteceu a 15 de fevereiro de 2018, quando Stephen Waterson e Adrian Hore foram às compras com Alfie, um casal de amigos e outra criança. Câmaras de segurança mostram o filho da arguida a correr e tentar alcançar a mãe momentos antes de ser colocado no carro onde sofreria as lesões que lhe provacaram a morte. Tudo aconteceu no trajeto entre as cidades de Sutton — local do centro comercial — e Croydon, casa de Waterson, numa distância de 9 quilómetros, ambas ao sul de Londres.

Segundo foi relatado em tribunal, o arguido ter-se-á irritado com o choro de Alfie, o que o levou a empurrar o assento do passageiro contra a criança. Alfie terá continuado a chorar, o que motivou um segundo empurrão do banco do automóvel.

Depois de chegarem a Croydon, o menino já teria colapsado e parado de respirar. A equipa de socorro reanimou a criança enquanto o arguido fugiu, mas a vítima não resistiu às lesões e morreu três dias depois.

“Alfie foi sujeito a um peso de 81 quilos, num espaço de apenas 9,5 centímetros, resultando em ferimentos catastróficos, que provaram ser fatais. Este foi um caso angustiante e difícil para todos aqueles envolvidos, mas finalmente a justiça foi feita pelo Alfie”, afirmou Angela Moriarty, do Serviço de Procuradores da Coroa britânico (CPS, na sigla em inglês), ao jornal The Guardian.

O espaço máximo do chão de um carro entre os bancos pode chegar a 30 centímetros, mas pode ser reduzido aos 9,5 centímetros caso seja empurrado.