O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, afirmou esta quinta-feira à Lusa que existem pelo menos duas lojas de portugueses que foram alvo de roubo e pilhagem em Joanesburgo, devido aos atos violentos que têm ocorrido na África do Sul.

“Continuamos a não ter qualquer informação de cidadãos portugueses feridos ou alvo de qualquer agressão nos distúrbios que ocorreram nos últimos dias em Joanesburgo. A informação que temos é que existem pelo menos dois casos de lojas de cidadãos portugueses que foram objeto de roubos, assaltos ou pilhagens”, disse Augusto Santos Silva.

O ministro dos Negócios Estrangeiros explicou à Lusa que as lojas afetadas pelos atos violentos não foram um alvo específico. “Não foram alvos específicos, estavam no enfiamento de outras lojas alvos destes atos. Existem também informações, sobre a forma de indícios, que possam existir mais casos, em pequeno número, que o cônsul-geral em Joanesburgo está a procurar confirmar”, acrescentou.

Augusto Santos Silva disse que o Governo português está a acompanhar a situação de perto e explicou que em outros locais da África do Sul não existem portugueses afetados até ao momento.

“Também existiram distúrbios em Pretória, no Cabo e clima de agitação social em Durban, mas não temos informação de qualquer português afetado nestas zonas, a nível pessoal ou de bens. Todos os casos registados são em Joanesburgo”, frisou.

O chefe da diplomacia portuguesa tem informação, através do cônsul, de que a situação em Joanesburgo está hoje “menos tensa e com maior controlo policial”.

“Desde que o Presidente sul-africano fez apelo à ordem que as coisas vão serenando. Quero pedir a todos os portugueses residentes na área urbana de Joanesburgo que tenham todos os cuidados de segurança e evitem as zonas onde a agitação social e os atos criminosos estão a ocorrer”, salientou. Portugal tem registo de cerca de 200 mil cidadãos em toda a África do Sul, 68 mil destes na grande Joanesburgo.

Portugueses na África do Sul preocupados com onda de violência em Joanesburgo

Pelo menos 10 pessoas morreram, entre as quais um estrangeiro, devido à violência xenófoba que atinge a África do Sul desde o fim de semana, afirmou hoje o Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, que considerou injustificáveis os ataques e saques.

“Sabemos que pelo menos 10 pessoas morreram nessa violência, entre as quais um estrangeiro”, afirmou o chefe de Estado, numa declaração à nação emitida pela televisão, durante a qual considerou que “não há desculpa para a xenofobia” nem uma “justificação para os saques e destruição”.

Cyril Ramaphosa acrescentou que a violência “diminuiu bastante” e explicou que 423 pessoas foram detidas na área de Joanesburgo, epicentro dos conflitos.