“Faço o ‘Blog da Carlota’ há oito anos”, começa por dizer Fernanda Velez. Mas sabe que, hoje, é mais do que isso. “Sou também uma influencer”. Sim, é uma influenciadora, o tipo de pessoa que ajuda a fazer escolhas e a definir tendências, em áreas tão diferentes que vão da roupa de bebé ao restaurante mais trendy, mas que se encaixam numa mesma etiqueta: “Lifestyle”. Foi, aliás, nessa categoria que foi nomeada para Blog do Ano em 2018.

Quando, em 2011,  a filha Carlota nasceu, Fernanda começou a ser abordada na rua por curiosos que queriam saber onde tinha comprado a roupa que a bebé usava. Instada pelo marido e amigos, começou a escrever num blogue, onde ia colocando algumas curiosidades de quem é mãe há pouco tempo, ao mesmo tempo que referenciava os locais onde fazia compras. “Começou como uma brincadeira”, garante. Mas que hoje conta com 160 mil seguidores no Facebook, 95 mil no Instagram e nove mil no Pinterest. Quase em simultâneo com o blogue, surgiu um evento que agregava as marcas de que ia falando online: o “Mercadito da Carlota” que, neste natal de 2019, celebra a 20ª edição e tem contado com milhares de visitantes em todas as edições.

Fernanda Velez numa mini biografia

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Fernanda Ferreira Velez tem 36 anos. Nasceu em Lisboa e licenciou-se em Comunicação Social, na vertente de Marketing. Em 2004 era coordenadora comercial da Motorpress, e de 2008 a 2011 foi diretora de marketing da Bertrand Editora. Em 2012, era responsável de marketing web da G+J, quando foi mãe e decidiu dedicar-se unicamente à sua família e a um emergente projeto online. O resto é história.

Trata-se de um evento “onde reúno as marcas de que gosto e uso, sobretudo portuguesas. No fundo, é uma forma de passar o blogue de um plano digital, para um plano físico, onde as pessoas podem fazer as suas compras”. Vai realizar-se nos dias 30 de novembro e 1 de dezembro, e terá lugar na Cordoaria Nacional, em Lisboa. Para quem conhece, já percebeu que há, pelo menos, duas diferenças em relação às edições anteriores: ganhou mais espaço (as edições anteriores, em Lisboa, realizaram-se no Centro Cultural de Belém) e terá a duração de dois dias, em vez de apenas um. “Mas há mais surpresas, que não vou revelar”, garante Fernanda.

O segredo está na partilha

Se o blogue começou por ser mais dirigido para as crianças – ou para quem lida com elas – há cerca de dois anos “evoluiu para a moda de senhora, para a decoração da casa e, portanto vem acompanhando a evolução também da página de Instagram. Diria que é mais lifestyle”. A razão é simples: “quando comecei, era uma mãe recente e, nessa altura, parece que tudo passa para segundo plano. Só os filhos é que importam. Mas as crianças vão crescendo e os outros interesses começam a ganhar novamente importância”. No entanto, garante que as filhas – a Carlota, juntou-se Maria do Carmo – continuam a ser a a sua fonte de inspiração, às quais acrescentou uma série de outras fontes. Com uma maior aposta no Instagram, aborda temas como a moda, as viagens e a decoração.  Em Lisboa, as lojas na Avenida Infante Santo, no Príncipe Real ou as galerias de arte no Bairro Alto (como a recém inaugurada Nave, onde foi gravada esta entrevista), são alguns dos pontos de paragem obrigatória. “O que mais me entusiasma é a partilha, é o deixar dicas sobre o que vi e experimentei, sobre o que gostei, ou não gostei”.

Por outro lado, esta é uma atividade que lhe permite continuar a acompanhar o crescimento das filhas, uma mais-valia de que não pretende abrir mão tão cedo. “É claro que, por vezes, em casa não somos tão produtivos. Até porque, muitas vezes, é precisamente quando estou a trabalhar que elas pedem mais atenção. Frequentemente, é à noite, quando já estão deitadas e a casa está mais sossegada, que consigo pôr o trabalho em dia ou planear a semana”.

O lado A da vida

A paixão pelo que faz é o que a move. “Tenho uma forma muito positiva de ver a vida. Gosto de ver sempre as coisas pelo lado positivo e guardá-las na memória dessa forma. De descobrir o lado belo de um espaço, captar, retirar esse pedaço e fazer uma foto do Instagram. Isso está em mim”. Da mesma forma que sente que a definição de tendências é algo inato. “Tem a ver com essa procura do belo, mas também estou desperta para a novidade, vejo muita coisa, leio muitas revistas, absorvo as imagens e viajo. Mas às vezes, basta estar sentada num café a ver passar as pessoas para que a inspiração surja…”

Saiba mais sobre este projecto em https://observador.pt/seccao/feeling-the-movement/