A Bugatti não perdeu pela demora. Christian von Koenigsegg, que fundou uma marca de superdesportivos a que deu o seu apelido, deixou que o fabricante francês desfrutasse do recorde de velocidade estabelecido em 490 km/h, depois de o Chiron Sport ter sido alvo de uma parceria com a Michelin e a Dallara. O sueco deixou que se comemorasse para os lados de Molsheim, mas por pouco tempo. Afinal de contas, a marca que a Bugatti derrubou pertencia ao seu Agera RS (457,94 km/h).

Mal o Chiron Sport estabeleceu o notável registo, o CEO da Bugatti, Stephan Winkelmann, tratou de dizer “basta” de uma forma politicamente correcta:

Mostrámos várias vezes que produzimos os carros mais rápidos do mundo. No futuro, vamos focar-nos noutras áreas”, declarou na altura.

O problema é que Christian parece disposto a não lhe dar descanso, pois tratou de mostrar (mais uma vez) por que razão os superdesportivos que produz são terrivelmente eficazes a acelerar e a travar. E porque a ideia era “voar” e “aterrar”, cumprindo um exercício de aceleração e travagem 0-400-0 km/h, o aeroporto de Rada, na Suécia, foi a pista escolhida para o Regera provar que merece o nome (em sueco, significa “reinar”), esmagando um recorde que… já era da casa. Mais, um recorde em que a Koenisegg já tinha destronado a Bugatti, quando o Agera RS fez melhor do que o Chiron, indo de 0 a 400 km/h até parar em escassos 36,44 segundos. Marca que voltaria a repetir, para lhe retirar mais uns segundos (33,29 segundos). Agora, o piloto de testes da Koenigsegg, Sonny Persson, fixou o cronómetro nos 31,49 segundos com o Regera, ou seja, menos 10,47 segundos do que o registo do Chiron nos 0-400-0 km/h.

Recorde-se que o Regera, ao contrário de outros modelos da marca sueca, não foi concebido para ser uma “máquina” radical e ultraleve, virada exclusivamente para as prestações extremas. É um superdesportivo, sim, mas é também luxuoso e tecnologicamente avançado, a ponto de nem sequer ter caixa de velocidades. A tecnologia Koenigsegg Direct Drive substitui-a, poupando no peso e nos consumos.

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O híbrido escandinavo debita mais de 1500 cv, graças a um V8 biturbo de 5,0 litros e 1.115 cv, com lubrificação por cárter seco, o qual se encontra associado a três motores eléctricos, cuja potência combinada é de 700 cv – um de 245 cv em cada uma das rodas do eixo traseiro e outro de 218 cv ligado directamente à cambota.

Além de mais barato do que o Chiron, com um preço base estimado a rondar 1,9 milhões de euros – em parte explicado pela maior sofisticação da mecânica do desportivo francês, com motor W16 com 8 litros, 4 turbos e tracção às quatro rodas –, parece que o rival sueco ainda não mostrou por completo o jogo. Tudo indica que a Koenigsegg se prepara para tirar mais uma carta da manga, desta feita concentrando-se na velocidade máxima. Daí o “hold my beer” de Sonny Persson para Christian von Koenigsegg, mesmo no final do vídeo…