Com apenas quatro encontros oficiais realizados esta temporada e um Campeonato ainda numa fase demasiado precoce, o dérbi entre Benfica e Sporting parecia ganhar um cariz de certa forma diferente em relação a tudo o que costuma trazer aos pavilhões nacionais. Aliás, os próprios treinadores esvaziaram a sua importância assumindo que o mais importante é sempre chegar a junho no pico de forma para as grandes decisões. No entanto, no jogo onde os encarnados ganhariam por 4-3, subindo assim à liderança isolada no final da quarta jornada da fase regular, bastou um minuto para se perceber que há coisas que não mudam (nem vão mudar).

Logo no arranque do jogo, Cardinal, de regresso às opções de Nuno Dias, embrulhou-se com Fernandinho e, entre abraços um pouco mais calorosos entre adversários, os árbitros tiveram de puxar do cartão amarelo no minuto inicial, sinal de que dérbi é sempre dérbi e todos dão o máximo para ganhar. Foi isso que aconteceu, nem sempre com a melhor qualidade exibicional mas com interesse e emoção q.b. para esta fase da temporada.

Entre um arranque equilibrado e sem grandes oportunidades para ambos os lados, Guitta travou um remate forte de Chaguinha para, no minuto seguinte, Leo arriscar por duas vezes a meia distância à baliza de Roncaglio. Fábio Cecílio, numa situação 1×1 com o guarda-redes brasileiro dos leões, teve também a chance de inaugurar o marcador antes de chegarem os golos e em versão dupla num espaço de um minuto: Erick, após uma grande jogada de Taynan, fuzilou Roncaglio e deu ao vantagem ao Sporting (8′); Robinho, depois de uma assistência de Fernandinho numa recarga a defesa incompleta de Guitta, fez o empate para o Benfica logo a seguir (9′).

A partida perdeu então alguma intensidade e objetividade, o que levou Joel Rocha a pedir um desconto de tempo que teria um efeito imediato e novamente em versão dupla: no seguimento de um lance em que Robinho saiu de trás com Cardinal e evitar fazer falta, Chaguinha recebeu encostado à esquerda e rematou forte sem ângulo para o 2-1 (14′); e, logo a seguir, Guitta teve um erro crasso na saída de bola bem aproveitado por Fábio Cecílio para pressionar alto e desviar para a baliza deserta dos verde e brancos, que pediram de seguida pausa técnica (14′).

Taynan, um dos reforços do Sporting para a nova temporada que continua a dar nas vistas pela qualidade técnica acima da média, ainda teve mais uma boa oportunidade ainda antes do intervalo mas acabaria por ser de novo protagonista mas pelos piores motivos no arranque do segundo tempo, quando viu o segundo amarelo após falta dura sobre Henmi e acabou por ser expulso, deixando o Benfica a jogar com mais um numa fase aproveitada para ampliar a vantagem para 4-1, numa combinação coletiva finalizada por Henmi (24′).

Em condições normais, com três golos de vantagem e o controlo do jogo, o dérbi parecia estar resolvido (com todas as dúvidas que isso encerra no futebol com tantos minutos por jogar) mas um erro de Roncaglio, a carregar Erick na área sem necessidade naquela que foi a quinta falta de equipa dos encarnados, acabou por relançar o encontro, até porque Cardinal não perdoou e transformou da melhor forma a grande penalidade (27′). Todavia, os leões nunca conseguiram aproveitar o condicionamento de faltas do adversário apesar de terem arriscado jogar 5×4 com Merlim na condição de guarda-redes avançado (nos últimos quatro minutos e meio), reduzindo apenas para 4-3 a cerca de um minuto e meio do final com Erick a bisar para a equipa de Nuno Dias.