A receção do Liverpool ao Salzburg era um dos jogos de maior interesse na noite desta quarta-feira mas sobretudo pelos resultados: na primeira ronda, os ingleses tinham perdido com o Nápoles e os austríacos conseguiram golear o Genk. De resto, a nível por exemplo de apostas, só dava reds – jogavam em casa (e logo num encontro marcante por ser o 100.º na competição em Anfield), são líderes invictos da Premier League, atravessam uma grande fase, são os campeões europeus em título, têm o tridente ofensivo a marcar e assistir como nunca. Durante 36 minutos, tudo bateu certo e excedeu as expetativas; em pouco mais de 20 minutos, houve uma reviravolta de 180º.

Ainda dentro dos dez minutos iniciais, Sadio Mané, que tem sido o dianteiro em maior foco neste arranque de época do Liverpool, combinou de forma simples e eficaz com Firmino (sempre o brasileiro, que às vezes mais parece um pivô de futsal pela forma como recebe e devolve de costas para a baliza para os companheiros brilharem) e atirou na área para o 1-0, não festejando por estar a defrontar a anterior equipa. Mais tarde, e como também pode haver sociedades improváveis para o golo, o lateral direito Alexander-Arnold cruzou rasteiro após boa jogada coletiva e o lateral esquerdo apareceu na zona de finalização e fez o 2-0. E como não houve mesmo dois sem três, Salah aumentou a vantagem numa recarga após cabeceamento de Firmino a cruzamento de Salah (36′).

Bastava o Liverpool acelerar um pouco mais para conseguir superar a defesa do Salzburg, que já tinha dado alguns sinais de ter ali o seu calcanhar de Aquiles na receção ao Genk. E juntando a isso a capacidade dos ingleses em fecharem espaços às equipas adversárias nas transições e nas saídas rápidas, tudo apontava para uma goleada, ficando apenas a faltar saber os números da mesma. Por isso, o golo de Hwang, a reduzir para 3-1 ainda antes do intervalo depois de uma boa iniciativa individual a driblar Van Dijk (39′), parecia apenas uma resposta incapaz de ter a força suficiente para virar o rumo da partida – algo que viria mesmo a acontecer na segunda parte.

Aproveitando uma ligeira desconcentração do Liverpool, os austríacos marcaram rápido uma falta e Minamimo, com um grande remate de primeira, não deu hipóteses e apontou o 3-2 ainda dentro do primeiro quarto de hora do segundo tempo (56′), abrindo um cenário de recuperação que se viria a confirmar na totalidade apenas cinco minutos depois, quando Haland, avançado que foi a grande revelação da primeira jornada da Champions mas que começou no banco por questões físicas, encostou ao segundo poste para o empate em Anfield (61′).

Aquilo que parecia ser uma goleada certa parecia estar a tornar-se numa impensável derrota, perante os nervos que iam tomando conta dos jogadores do Liverpool face à crescente motivação e galvanização do conjunto austríaco em querer escrever mais história esta noite. No entanto, Mo Salah ainda tinha uma palavra a dizer e, perante uma bola ganha por Firmino de cabeça numa insistência, não perdoou sozinho na área para fazer o 4-3 que permitiu ao campeão europeu respirar de alívio e ao egípcio chegar a um número notável de 77 golos desde que chegou a Liverpool no verão de 2017, só superado nessa fase por Messi (96) e Lewandowski (95), e à frente de Ronaldo (76).