“Ajuda-me! Estou a crescer” pode parecer um título inofensivo em primeira análise, mas o livro educativo difundido entre 44 escolas islâmicas oficiais na Holanda, e subsidiadas pelo governo holandês, contém diversos trechos com conteúdo extremista e agressivo, segundo as denúncias feitas pelos jornais Nieuwsuur e NRC Handelsblad.

Entre os temas tratados estão a condenação da homossexualidade e a classificação do contacto visual entre duas pessoas de diferentes sexos como um ato proibido de adultério. O material foi criado por uma holandesa convertida ao Islão chamada Asma Claassen e refere que Alá, o deus da religião islâmica, “odeia homossexuais” e “proíbe a união com alguém” do mesmo sexo, além de ter diferentes versões para os rapazes e raparigas.

O povo da cidade de Lot tinha-se desviado completamente do caminho de Alá. Os homens de Sodoma começaram a fazer sexo um com o outro, em vez de o fazerem com suas esposas. Isso nunca antes tinha acontecido na história e Alá considerou-o como um grande pecado. Alá instruiu Gabriel a destruir as sete cidades de Sodoma com todos os edifícios, pessoas e animais. Deixou as pedras de barro choverem, e em cada pedra, constava o nome da pessoa a ser atingida”, refere trecho na página 75 do material didático.

Na versão para raparigas, o conteúdo sugere às crianças não utilizarem “roupas de não-crentes”, como, por exemplo, roupas apertadas. Além disso, defende que deve ser utilizado um lenço para cobrir os cabelos e condena o uso de maquilhagem ou o arranjo das sobrancelhas. Segundo descreve o jornal espanhol El Confidencial, as raparigas foram obrigadas a fazerem recortes de imagens de roupas “adequadas” e “não adequadas” para colarem nas paredes das casas de banho.

“É horrível, inaceitável e contrário à lei . Os estudantes têm direito a uma escola em que se sintam seguros e aceites”, disse Astrid Oosenbrug, presidente da Associação de Defesa dos Direitos dos LGBTQ+ holandês.

Deus enviou um castigo às pessoas porque elas não ouviram ou melhoraram. Se olharmos para o comportamento dos dois profetas que viveram naquele tempo na história — Abraão e Lot —, veremos que tratam o povo de Sodoma de maneira educada e gentil. Permaneceram calmos, firmes, justos, gentis e educados e não foram tentados por mau comportamento ou linguagem inapropriada”, é possível ler nas alterações que a entidade reguladora fez aos livros depois da denúncia dos jornais holandeses.

Estes são apenas alguns exemplos de alterações que foram efetuadas nos livros educativos sem a aprovação do Ministério da Educação da Holanda. Também há escolas aos finais de semana instaladas em mesquitas salafistas que escapam ao controle oficial. Nestas escolas informais, professores glorificam um sistema em que o castigo da lei islâmica (sharia) é aplicado a todos os infiéis e pecadores, segundo conta o El Confidencial.

Existem mesmo exames em que as crianças são submetidas a exercícios de resposta múltipla para escolher a punição correta para cada pecado cometido: chicotadas, apedrejamento ou morte com uma espada. Além disso, os menores de idade têm definir que tipo de pessoas são “inimigas” ou “não-crentes” e decidirem “a pena de morte que adúlteros, homossexuais, apóstatas e feiticeiros merecem”.

Existirão cerca de 50 centros de ensino salafistas na Holanda que oferecem este tipo de ensino a mais de mil crianças durante a noite ou nos finais de semana e são promovidas pelo financiamento externo de diferentes países do Golfo Pérsico.

“Usam a máscara religiosa para espalhar ideias e envenenar crianças e adolescentes. Aproveitam o facto de muitas ainda estarem em busca de conhecimento e a definirem a sua identidade”, disse Ahmed Marcouch, atual presidente das câmaras de Arnhem e Muslim. Marcouch alerta para a possibilidade dessas crianças “acabarem por pegar em armas contra sua própria sociedade ou emigrando para territórios da jihad”, como a Síria ou Iraque. Somente nas cidades em que é presidente, cerca de 70 jovens juntaram-se a grupos terroristas.

Com essas ideias, são capazes de matar a sua própria família”, disse Marcouch.

O presidente do Conselho das Mesquitas Marroquinas da Holanda, Said Bouharrou, declarou que “uma mudança na Constituição é uma medida sem sentido, porque levará anos para ser realizada e dar resultados. Essas crianças não têm esse tempo. Se queremos ser eficazes na luta contra os abusos na educação salafista, devemos resolver o problema na raiz, conversar com pais e mesquitas”, conclui.