António Costa usou a ironia para comentar as previsões para este ano do Conselho de Finanças Públicas que apontam para um excedente. “Sempre me interroguei quando seria o momento em que o Conselho de Finanças Públicas e o Banco de Portugal seriam mais otimistas que o Governo. Acho que esse dia chegou hoje”, disse o primeiro-ministro indigitado à entrada de uma reunião do PS.

As previsões avançadas esta quinta-feira apontam que já este ano se atinja um excedente orçamental de 0,1% do PIB e ainda um crescimento de 1,9%. O Banco de Portugal previu um crescimento de 2% no final deste ano. “Esperemos que o otimismo se aproxime mais da realidade do que o pessimismo que no passado manifestaram”, atirou ainda às duas entidades que mais recentemente ditaram as suas previsões.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Quanto ao Executivo, o primeiro-ministro indigitado diz que “manterá a posição mais conservadora” sem “proceder à revisão” de metas. A previsão que deixou inscrita no Programa de Estabilidade foi de 0,2% de défice e 1,9% de crescimento.

Já quanto ao acordo político para garantir um apoio maioritário no Parlamento, António Costa mantém tudo em aberto. Diz apenas que “o diálogo está a prosseguir com as diferentes forças políticas” que, afirma, deram uma “mensagem muito clara: o compromisso e vontade para dialogarmos permanentemente ao longo da legislatura, encontrando sempre soluções, procedermos à avaliação prévia do orçamento e de outros documentos de política fundamental”.

Quanto ao Bloco — cuja abertura para um acordo formal foi a única clara — Costa diz estar “a avaliar as diferentes  condições” e decidirá “em diálogo com o Bloco”. As declarações foram feitas à entrada da reunião da Comissão Política Nacional do PS, na sede do partido em Lisboa, onde António Costa vai analisar o resultado eleitoral e onde espera ter um mandato claro para a negociação que se segue com os partidos da esquerda. Antes de entrar repetiu mais uma vez que o PS tem “condições para formar Governo com perspetiva de estabilidade para o horizonte da legislatura”.

Ainda foi questionado sobre o Governo que vai formar, mas recusado dizer o que fosse ali “no meio do passeio” à frente da sede do PS. Quem vai entregar o Orçamento? Mário Centeno? “Não sei se será ele, se o secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares”. E seguiu para a reunião.