É assumido, desde o início, que o Supra apenas nasceu porque a Toyota recorreu à base do BMW Z4 para conceber o seu desportivo de dois lugares, tendo ainda decidido produzi-lo na fábrica austríaca da Magna, que também constrói o Z4.

aqui deixámos claro que não é fácil compreender como é que um fabricante com o gabarito da Toyota, um gigante mundial em vendas e lucros, tenha optado por recorrer a terceiros para fabricar um dos veículos mais emblemáticos. Sucede que, desta vez, um preparador americano, país onde o Supra é igualmente comercializado, desmontou o Toyota e foi à procura de emblemas, para ver até que ponto o desportivo japonês tem mais peças alemãs ou nipónicas.

O vídeo é exemplificativo e facilmente os responsáveis pela garagem encontraram muitos mais símbolos da BMW do que da Toyota sob as vestes do Supra, o que os levou à conclusão de que o modelo nipónico tem mais de BMW do que Toyota. E foi uma análise rápida e incompleta, pois sabe-se que do motor à caixa de velocidades, passando pelos travões, elementos dos travões, da direcção e tudo o resto, são utilizadas originalmente peças da marca alemã.

Porém, dos bancos aos painéis da carroçaria e tablier, o Supra é Toyota. E estas peças não foram contabilizadas a favor da marca.

A marca japonesa é o construtor que mais vende em todo o mundo e que maiores lucros regista, comercializando 10,6 milhões de veículos com um lucro de 16,4 mil milhões de euros, em 2018, contra 2,5 milhões de unidades e 7,2 mil milhões de euros da BMW. Daí que o facto de se “apoiar” na BMW, para conceber e construir o seu Supra, possa ter uma “volta na ponta”, ainda que não oficial. E terá a ver com o hidrogénio, uma vez que a BMW anda a testar veículos com célula de combustível a hidrogénio, sendo essas fuel cells da Toyota – as mesmas que os japoneses usam no Mirai.

A parceria entre fabricantes é normal e é até uma solução muito usada para reduzir custos – embora não seja tão frequente quando os construtores são oriundos de grupos concorrentes  –, mas o problema é que não é pressuposto ser uma colaboração tão evidente. O que dá origem a críticas como o vídeo da Daily Driven Exotics, apesar de não ser um exemplo de rigor. Basta comparar o conhecimento público inerente ao facto da Toyota usar como base o Z4 da BMW, com o que leva a marca alemã a montar fuel cells japonesas nos seus protótipos a hidrogénio.