O governo da Guiné-Bissau acusou esta terça-feira o Presidente da República de “instalar um clima de desordem total” com o objetivo de “interromper o processo das eleições presidenciais” e apelou à população para se manter calma e serena.

Em comunicado assinado pelo ministro da Presidência do Conselho de Ministros e dos Assuntos Parlamentares e porta-voz do governo, Armando Mango, o executivo guineense responsabiliza “o Presidente da República cessante e candidato às eleições presidenciais, José Mário Vaz, bem como os partidos políticos da minoria parlamentar, por todas as consequências que poderão resultar desta sua tentativa de desestabilizar o país”.

O Presidente da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, demitiu na segunda-feira o governo liderado pelo primeiro-ministro, Aristides Gomes, após uma reunião do Conselho de Estado, justificando a decisão com o que considera “uma grave crise política” que põe em causa “o normal funcionamento das instituições da República”.

O Conselho de Ministros, que esta terça-feira se reuniu no Palácio do Governo, em Bissau, refere, no comunicado, que decidiu “exortar as forças de defesa e segurança no sentido de se manterem equidistantes da situação prevalecente e a assumirem a sua natureza republicana, reconhecida e louvada (…)”. Exortou ainda as forças de segurança no sentido de “assumirem as suas responsabilidades no atual contexto, garantindo a ordem e a segurança necessárias ao normal funcionamento dos departamentos governamentais”.

À população em geral e aos habitantes de Bissau, em particular, apelou para que se mantenham “calmos e serenos, evitando praticar atos suscetíveis de pôr em causa o clima de estabilidade e paz”.

Revelando-se firmemente determinados em prosseguir na organização e realização das eleições presidenciais previstas para 24 de novembro, o Conselho de Ministros lamentou ainda a morte do cidadão Demba Baldé e anunciou que vai requerer um inquérito internacional para o apuramento das circunstâncias da sua morte.

No sábado, um protesto, não autorizado pelo Ministério do Interior e organizada pela oposição política contra a forma como estão a ser organizadas as eleições presidenciais, terminou com um morto, três feridos e, pelo menos, três pessoas detidas, depois de a manifestação ter sido dispersada pelas forças de segurança.

A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) ameaçou esta terça-feira, em comunicado, impor sanções a todos os que ameacem a paz e a estabilidade no país e considerou ilegal o decreto de demissão de Aristides Gomes.

Entretanto, o Presidente guineense já nomeou um novo primeiro-ministro, Faustino Imbali, que deve tomar posse ainda esta terça-feira.