A Câmara Municipal da Horta, nos Açores, contabilizou 1,5 milhões de euros de prejuízos em estradas e zonas balneares, provocados pela passagem do furacão “Lorenzo”, que atingiu o arquipélago no dia 2 de outubro.

“Tivemos valores muito elevados [de prejuízos], sobretudo em estradas e zonas balneares, no valor de um milhão e meio de euros”, explicou José Leonardo Silva, presidente da Câmara da Horta, em conferência de imprensa, nos Paços do Concelho, adiantando que é preciso agora definir que despesas serão pagas pela autarquia e que despesas serão pagas pelos executivos regional e da República.

O autarca socialista diz que ainda não inscreveu nas propostas de Plano e Orçamento para 2020 qualquer verba para fazer face a estes prejuízos, uma vez que o valor a pagar pelo município ainda não está definido, mas admite vir a apresentar, no próximo ano, uma alteração orçamental, para cobrir estas despesas.

Esse montante não está espelhado em valores orçamentais. Ficou em aberto, isto porque é preciso realizar primeiro os projetos, verificar os valores e ver o que é que podemos fazer”, explicou José Leonardo Silva, considerando que não seria correto, da parte do município, “colocar dinheiro no Orçamento à avença”.

A zona de Porto Pim, na cidade da Horta, a costa da Feteira e o lugar do Varadouro, no Capelo, foram as zonas mais afetadas pela forte ondulação gerada pelo furacão “Lorenzo”, que destruiu moradias, estradas e zonas balneares e provocou dezenas de desalojados.

O presidente da Câmara da Horta, na ilha do Faial, entende que é preciso também avaliar se vale a pena reconstruir moradias em algumas das zonas afetadas pelo furacão, no sentido de precaver outros estragos no futuro. “Vamos solicitar pareceres a outras entidades e vamos reunir com essas entidades, para nós percebermos o que é que se pode realizar no futuro”, advertiu o autarca faialense, acrescentando que, no seu entender, a decisão sobre a eventual reconstrução de algumas moradias não deve ser tomada “caso a caso”, mas por áreas específicas.

Durante a passagem do “Lorenzo” pelos Açores, em 2 de outubro, foram registadas 255 ocorrências e 53 pessoas tiveram de ser realojadas. A passagem causou a destruição total do porto das Lajes das Flores, o que colocou em risco o abastecimento ao grupo ocidental.

No total, o mau tempo provocou prejuízos de cerca de 330 milhões de euros, segundo o Governo Regional dos Açores.