(Em atualização)

O processo de impeachment contra Donald Trump deu mais um passo esta segunda-feira, com os advogados escolhidos por cada um dos partidos a defender a sua posição.

Sem surpresa, o advogado do Partido Democrata acusou Donald Trump de ter um “esquema” para obter “lucros políticos e pessoais” através dos seus contactos com o Presidente da Ucrânia, Volydymyr Zelensky. Já o advogado do Partido Republicano, mantendo uma linha já previamente defendida, referiu que este processo é o resultado da “obsessão” dos democratas em tirar Donald Trump da Casa Branca.

O advogado contratado pelo Partido Democrata, Daniel Goldman, também foi fiel à linha da força política que representa. “Os esforços persistentes e continuados do Presidente Trump em levar um país, sob coação, a ajudá-lo a fazer batota para vencer umas eleições são um perigo claro e presente para que as nossas eleições sejam livres e justas e para a nossa segurança nacional”, disse Daniel Goldman.

O advogado dos democratas disse ainda que, apesar de as suspeitas acerca do ex-vice-Presidente e candidato democrata à presidência dos EUA Joe Biden serem “obviamente falsas”, Donald Trump não deixou de, “durante a sua chamada com o Presidente da Ucrânia”, referir o filho do democrata e a sua passagem pelo conselho de administração numa empresa energética na Ucrânia, a Burisma.

Já o advogado contratado pelo Partido Republicano, Stephen Castor, disse que o caso defendido pelos democratas tem motivações puramente políticas: “Destituir um Presidente no qual votaram 63 milhões de pessoas por causa de oito linhas numa transcrição de uma chamada é uma tanga”.

Acusando os democratas de, simplesmente, “terem ido à procura de um conjunto de factos que pudessem usar para destituir o Presidente”, Stephen Castor diz que o partido liderado por Nancy Pelosi na Câmara dos Representantes escreveu “um excelente guião”, mas sem provas.

Stephen Castor rejeitou ainda a ideia de Donald Trump considerar Joe Biden como um adversário nas eleições presidenciais de 2020. “Ainda é demasiado cedo para dizer isso”, disse o advogado.

Durante a sessão, Donald Trump recorreu ao Twitter para escrever várias vezes que estavam em curso uma “caça às bruxas”, mas não chegou a tecer comentários diretamente sobre os intervenientes desta segunda-feira no processo de impeachment — algo que chegou a fazer durante o testemunho da ex-embaixadora dos EUA na Ucrânia Marie Yovanovitch na comissão de inquérito do Comité de Serviços Secretos.

Donald Trump e a Casa Branca recusaram cooperar com este processso de impeachment.

Este é o primeiro passo depois de, na semana passada, a speaker da Câmara dos Representantes, a democrata Nancy Pelosi, ter dado luz verde para que os congressistas votassem quais são os artigos de impeachment a aplicar contra Donald Trump. Para esta espécie de julgamento avançar na câmara baixa do Congresso dos EUA, é preciso que uma maioria de congressistas vote a favor da culpabilidade do Presidente — um desfecho mais do que provável, já que os democratas dominam a Câmara dos Deputados desde janeiro de 2019.

Porém, ao passar para a câmara alta do Congresso, o Senado, é provável que o processo seja sucessivamente adiado e fracasse, uma vez que ali a maioria dos membros eleitos são do Partido Republicano. Acresce a isso que para efetivar um impeachment no Senado são precisos os votos de dois terços daquela câmara.