Notre-Dame ainda não está salva, continua em perigo.” As palavras são do general Jean-Louis Georgelin, responsável pela reconstrução da catedral que ficou parcialmente destruída num incêndio a 15 de abril de 2019.

De acordo com o jornal francês Le Figaro e a Associated Press, que citam uma entrevista dada ao canal de televisão CNews, Georgelin esclareceu que faz esta afirmação relativamente ao que será feito este ano no projeto de recuperação de Notre-Dame: será necessário retirar as 500 toneladas de andaimes que estavam em torno do pináculo da catedral quando se deu o fogo — nessa altura, o edifício estava a ser alvo de renovações. Algo que deverá acontecer em meados de 2020.

Há um passo muito importante que se segue, que é remover os andaimes que foram colocados à volta do pináculo”, afirmou o general.

Com esta remoção, é possível que as abóbadas da catedral colapsem, adiantou ainda, acrescentando que não pode dar garantias, uma vez que ainda falta apurar em concreto o estado das abóbadas. “Para ter a certeza, temos de as inspecionar, remover os escombros que ainda lá estão”, disse o antigo chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, referindo que já se deu início a este “trabalho muito difícil.”

Já Patrick Chauvet, bispo e reitor da Catedral, tinha dito que a possibilidade de os andaimes caírem sobre as abóbadas era 50/50.

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Ainda assim, Georgelin — que foi nomeado pelo Presidente francês para supervisionar a reconstrução da catedral — disse que a equipa está “bastante confiante” tendo em conta as avaliações iniciais feitas à catedral.

Depois da retirada dos andaimes ainda este ano, deverá dar-se início aos trabalhos de restauro em 2021. O Presidente francês, Emmanuel Macron, por sua vez, tinha dito que queria Notre-Dame estivesse reconstruida até 2024, a tempo dos Jogos Olímpicos de Verão.

Um objetivo que parece estar longe de ser concretizado — aliás, os especialistas acham o prazo irrealista. Na mesma entrevista, Georgelin disse que não só ainda não foram escolhidos os materiais para a reconstrução  do pináculo e do teto da catedral, como ainda não foi definida a forma será feita a reconstrução.

E adiantou alguns números: foram gastos 85 milhões de euros na fase de consolidação e segurança, um valor que definiu como “considerável”. Relativamente aos 922 milhões de euros de donativos prometidos, dos quais já receberam “entre 400 e 500 milhões”. Do valor total, “600 milhões de euros proveem de grandes fortunas francesas e 70 milhões do estrangeiro, dos quais 40 milhões dos Estados Unidos”.

Não tenho nenhuma inquietação relativamente à nossa capacidade de recolher os donativos prometidos”, afirmou o general Jean-Louis Georgelin.