Foi mesmo a colisão de um asteroide com a Terra, não uma época de intensa atividade vulcânica, que condenou os dinossauros à extinção há 66 milhões de anos durante o Cretáceo. É essa a conclusão de um estudo da Universidade de Yale publicado na semana passada na revista Science.

A comunidade científica estava dividida entre duas teses. Uma delas era esta — a de que um grande asteroide tinha colidido com a Terra na época do Cretáceo, desencadeando uma série de eventos catastróficos a que todos os dinossauros exceto as aves não conseguiram sobreviver. A outra possibilidade era que uma época de intensa atividade vulcânica tinha causado alterações climáticas dramáticas que mataram os dinossauros.

Já se sabia que os dois eventos tinham acontecido mesmo, mas ninguém sabia qual deles tinha realmente provocado a extinção dos dinossauros. O que este estudo vem dizer é que, de facto, essa época de intensa atividade vulcânica aconteceu mesmo e está testemunhada nos Basaltos de Decão, uma região de rochas magmáticas que fica na Índia. No entanto, esse fenómeno terá acontecido muito antes da extinção dos dinossauros e não desempenhou qualquer papel no desaparecimento destes animais.

De acordo com o comunicado de imprensa emitido pela universidade, os cientistas compararam as mudanças da temperatura global e os isótipos de carbono em fósseis marinhos e em modelos computacionais que simulam o efeito climático da libertação de dióxido de carbono. Descobriram que a maior parte deste gás poluente foi libertada muito antes do K-Pg — o evento em que um asteroide atingiu a Terra.

Por exclusão de partes, os cientistas concluíram que, sendo assim, só pode ter sido o asteroide a matar os dinossauros: “A atividade vulcânica no final do Cretáceo causou um evento gradual de aquecimento global de cerca de dois graus, mas não a extinção em massa. Várias espécies moveram-se em direção aos polos norte e sul, mas voltaram muito antes do impacto do asteroide”, descreveu Michael Henehan, investigador envolvido no estudo.

Além disso, o estudo também parece ter uma explicação para o facto de ter havido grandes erupções logo a seguir à colisão do asteroide há 66 milhões de anos na Península de Yucatan no México: “A extinção K-Pg foi uma extinção em massa e isto altera profundamente o ciclo de carbono global. Os nossos resultados mostram que estas mudanças permitiram ao oceano observar o uma grande quantidade de dióxodo de carbono, talvez escondendo os efeitos de aquecimento do vulcanismo a seguir ao evento”.