O protesto convocado por um grupo de militares para esta terça-feira à hora do almoço nas messes teve uma adesão de “40 a 55%”, segundo a Associação de Praças, mas os ramos afirmam que não teve expressão.

De acordo com o presidente da Associação de Praças, Luís Reis, à iniciativa de não comparecer nas messes à hora do almoço aderiu uma média de “entre 40 a 50%” dos militares nas unidades em todo o país, sendo que houve unidades “em que a participação foi massiva e outras em que não houve muita”.

Contactado pela Lusa, o porta-voz da Força Aérea disse que a iniciativa “não teve qualquer expressão” e a porta-voz do Exército referiu que, independentemente de um ou outro militar, o protesto “no geral não teve expressão”. Do lado da Marinha, o porta-voz, comandante Fernando Fonseca, adiantou que apenas ao nível das praças se registou alguma adesão, de 15%.

Num apelo não assinado, divulgado em 17 de janeiro, contra a falta de aumentos ou promoções e de condições de segurança, o grupo, assinado “militares unidos”, pediu que militares, sejam praças, sargentos ou oficiais, mostrem o “descontentamento” nesta terça-feira.

Em comunicado, intitulado “Vamos todos participar”, a associação pediu que os militares não compareçam nos refeitórios à hora de almoço ou fiquem na unidade até ao arriar da bandeira nacional, na terça-feira, véspera da apresentação no parlamento, pelo ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, do OE2020.

Demarcando-se da organização do protesto, o presidente da Associação de Praças das Forças Armadas, Luís Reis, disse ter recebido os números sobre a participação na iniciativa por parte “de quem está nas unidades” dos três ramos e frisou compreender os motivos do protesto simbólico e que a associação “está solidária”.

A Associação Nacional de Sargentos, apesar de ressalvar que não promoveu o protesto, apelou à participação para que os militares mostrem o descontentamento com as condições profissionais.

Por seu lado, a Associação dos Oficiais das Forças Armadas, garantiu segunda-feira que o “protesto não tem, naturalmente, origem na AOFA”, mas criticou as opções do atual e anteriores executivos que levaram ao “estado inegavelmente insustentável em que se encontram as Forças Armadas portuguesas e o (de há muito) indisfarçável mal-estar que grassa entre a generalidade dos militares”.

No comunicado do grupo Militares Unidos sugeriram-se várias formas de protesto: “Faltando ao almoço, ficando na unidade a assistir ao arrear da bandeira, manifestando por qualquer meio aos teus camaradas e chefes que estás pronto para manifestar o teu descontentamento e a lutar efetivamente pelos teus direitos”.