Esta quinta-feira o Relógio do Apocalipse [em inglês, “Doomsday Clock”] foi atualizado: de acordo com o mais recente acerto, faltam 100 segundos para a meia-noite. O tempo definido pelo Bulletin of the Atomic Scientists é simbólico e significa quão perto a Humanidade está do fim do mundo e, agora, restam menos de dois minutos para a meia-noite — e era aí que estávamos desde o início de 2017.

“Faltam 100 segundos para a meia-noite. Agora dizemos o quão perto o mundo está da catástrofe em segundos – não em horas ou até minutos”, disse a presidente do Bulletin, Rachel Bronson, em comunicado, como cita a CNN.

Enfrentamos agora uma verdadeira emergência — um estado absolutamente inaceitável dos assuntos mundiais que eliminou qualquer margem para erros ou atrasos adicionais”, diz Rachel Bronson.

Esta emergência está relacionada com tecnologias perigosas criadas pelo ser humano. Nas mãos erradas, essas inovações podem encaminhar o mundo inteiro para uma guerra nuclear completamente devastadora. O Bulletin of the Atomic Scientists justifica estes 100 segundos com o perigo de uma guerra nuclear — sustentado pelas novas ameaças da Coreia do Norte e Irão — e por 2019 ter sido o segundo ano mais quente desde que há registos, segundo a NASA.

Este cenário tem sido previsto pelo Bulletin of the Atomic Scientists que junta alguns dos cientistas mais influentes do mundo para estudar os eventos políticos, sociais, económicos, tecnológicos e climáticos que podem influenciar, positiva ou negativamente, a proximidade face ao fim do mundo.

Em 1947, no início da guerra fria, o primeiro relógio do apocalipse foi criado por Martyl Langsdorf (mulher do físico Langsdorf Jr., que esteve envolvido no Projeto Manhattan — que levou à criação da bomba atómica — enquanto trabalhava na Universidade de Chicago). A primeira representação foi exibida na edição de junho desse ano e marcava as 23h53 porque “ficava bem nos olhos”, veio a explicar mais tarde a artista.

Apesar de, nos últimos anos, o relógio simbólico apocalíptico estar a prever cada vez mais perto o fim, Rachel Bronson afirma que há possibilidade de o fazer retroceder: “Nas democracias, tentamos incentivar as pessoas a conversar com seus representantes políticos para que os enormes investimentos que estão a ser feitos em arsenais nucleares possam ser direcionados para outras áreas. Devem ser assinados acordos de controlo de armas para reduzir as ameaças”.