Nos SAG Awards, Jennifer Aniston retirou do baú da Dior um precioso e vencedor vestido vintage. Ainda em 2018, em Cannes, sem pingo de receio de repetições, Cate Blanchett levou de novo a passear o seu Armani, estreado quatro anos antes nos Globos de Ouro e um bom motivo para provar que nem só de efemeridade vive a red carpet. A moda, como vemos, não é nova mas aquilo que até há bem pouco tempo podia ser visto como uma exceção à regra, com o devido toque de irreverência ou statement de excentricidade, tornou-se praticamente um imperativo, extensível a todos os domínios da festa.

SAG Awards. Uma chuva de estrelas e uma passadeira cheia de bom gosto

A mais recente edição dos Globos de Ouro apostou num menu à base de plantas. Por essa altura, já Joaquin Phoenix, apontado a quase todas as estatuetas douradas de Melhor Ator pelo papel em “Joker”, deixara claro que faria toda a temporada com o mesmo smoking. Mas no que toca às escolhas femininas, por regra mais escrutinadas e reprovadas quando a originalidade escasseia, a repetição está longe de ser uma hipótese. Ou pelo menos assim acontecia até agora.

Em 2018, Cate Blanchett presidiu ao júri do Festival de Cinema de Cannes. Entre os vários looks eleitos para os diferentes dias, a atriz deu que falar por repetir uma Armani Privé usado nos Globos de Ouro em 2014 © Getty Images

Com os BAFTA à porta, a organização do evento desafia as celebridades convidadas a caminharem pela red carpet, mas reduzindo o mais possível a sua pegada negra. Reciclar ou reutilizar looks antigos é por isso não só tolerado como amplamente advogado. Se dúvidas houvesse, o certame apoia-se mesmo num guia partilhado pelo Centro de Sustentabilidade do London College of Fashion, um manual de boas práticas que terá sido enviado para todas as estrelas, fornecendo dicas sobre como tornar a sua presença no evento bastante mais sustentável.

E converter o vestido de noiva num look de red carpet? Alex Borstein não hesitou nos Emmys em 2028 © Rich Fury/Getty Images

Disponível a todos online, os conselhos incluem referências sobre locais onde alugar roupa, redutos vintage, marcas e criadores que se destacam no panorama da moda pelas suas práticas conscientes (como Stella McCartney, Phoebe English, Reformation e Rejina Pyo), entre outras pistas. Tudo para contrariar a cultura do desperdício, intimamente ligada, pelo menos até agora, a certames desta natureza e à indústria do espetáculo de uma forma geral.

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“O objetivo é que os BAFTA 2020 atinjam a neutralidade carbónica, de forma a obter um impacte positivo no ambiente. Das viagens à alimentação, do branding aos materiais usados, os BAFTA querem assegurar que os prémios são o mais sustentáveis possível”, confirmou um porta-voz à Harper Bazaar.

Em 2018 foi ainda mais longe na sessão nostalgia na red carpet dos Óscares. Desfilou o mesmo vestido que usou em 1962, quando venceu o troféu de Melhor Atriz Secundária pelo papel no filme “West Side Story” © Matt Sayles/A.M.P.A.S via Getty Images

Navegando pelos alertas fornecidos pelo guia, é possível ter uma noção das cifras que urge contrariar naquela que ainda é uma das indústrias mais poluentes do mundo, e em particular da dimensão colossal que eventos como este representam. Basta pensar, lembra o Centro de Sustentabilidade, que só no Reino Unido todos os anos se gasta 800 milhões de libras (948 milhões de euros) em roupas para ocasiões especiais, como casamentos, que em muitos casos não voltarão a ser usados. “O acessório mais sustentável é que aquele que já temos no nosso armário”, resume a ativista Orsola de Castro, mostrando ainda como a passadeira vermelha pode assumir um papel principal na mudança.