Um decote em formato coração e uma cauda de grandes proporções. Jóias Bulgari e cabelo apanhado para trás. Scarlett Johansson não foi a única a levar um vestido vermelho para a 77.ª edição dos Globos de Ouro, mas foi provavelmente a que mais deu nas vistas, mesmo competindo diretamente com Nicole Kidman. As atrizes, dois dos muitos nomes sonantes que marcaram presença na cerimónia de entrega de prémios de cinema e televisão atribuídos na madrugada de segunda-feira pela Associação da Crítica Estrangeira em Hollywood, combinaram no look — o qual deixaria uma Fafá de Belém orgulhosa — e, de tão cúmplices que se mostraram, não se sentiu necessidade de colocar a pergunta “who wore it best?”.

Entrada em grande foi também a de Jennifer Lopez que desfilou num Valentino com dois laços XXL entrelaçados — um dourado, outro verde esmeralda — a fazerem lembrar um verdadeiro embrulho de Natal. O look só ficou completo com as esmeraldas e os diamantes escolhidos a dedo para fazerem pandan. Num registo completamente diferente, Gwyneth Paltrow optou por um Fendi marcado pelas transparências e pelo tom caramelo. Cabelos soltos e uma energia tribal q.b. ajudaram à festa.

Reese Witherspoon, num branco imaculado, e Renée Zellweger, num azul bebé da Armani Privé com sapatos Jimmy Choo, foram retratos de sobriedade e elegância. O mesmo se pode dizer de Jennifer Aniston, que levou à passadeira vermelha um Dior Haute Couture todo ele preto, ainda que o vestido sem alças tenha refletido uma jogada segura. Ousadia, por seu turno, foi o que não faltou ao ator e cantor Billy Porter — o smoking branco foi personalizado com uma espécie de cauda dramática revestida de penas brancas –, a Lucy Boynton, que usou um vestido metálico de decote subido, e a Kerry Washington, que jogou ao máximo a cartada da sensualidade.

Em mais uma edição de Globos de Ouro não houve necessariamente um fio condutor que unisse a passadeira vermelha de uma ponta à outra, muito longe do dress code de 2018 que fez praticamente todas as celebridades vestirem-se de preto a propósito do movimento #metoo. Em 2020, aos momentos princesa de Ana de Armas e de Dakota Fanning seguiram-se transparências, rachas vertiginosas, caudas longas, silhuetas justas e lantejoulas a pedir momentos de celebração.

Depois do Festival de Palm Springs e dos Globos de Ouro, é esperar pelos Óscares, que invadem o pequeno ecrã e as redes sociais já no próximo dia 9 de fevereiro.