Um vídeo publicado no Twitter mostra o caos nos corredores de um Hospital da Cruz Vermelha em Wuhan, a cidade onde eclodiu a nova estirpe do coronavírus, que já matou 56 pessoas. O vídeo, de 40 segundos, foi republicado no Twitter por um colaborador do jornal South China Morning Post, e nele pode ver-se um corredor lotado e o que uma enfermeira garante serem cadáveres tapados por cobertores.

Inicialmente publicado na rede social chinesa Weibo (semelhante ao Twitter) por uma enfermeira do hospital, o vídeo acabou por ser removido — possivelmente devido à política de censura levada a cabo pelas autoridades chinesas. Foi republicado por Thomas Yau, do South China Morning Post, com a legenda: “Ela [a enfermeira] disse que os profissionais de saúde e os pacientes permanecem junto a três cadáveres no corredor de um hospital lotado. Ninguém está aqui para tratar dos corpos”. A informação sobre se se tratam, efetivamente, de cadáveres junto a doentes não foi ainda confirmada pela imprensa local. Assim como não é certo o dia em que o vídeo foi gravado, nem se os pacientes estão infetados com o vírus.

Perante a multiplicação de casos de pessoas infetadas com a nova estirpe do coronavírus — que veio das cobras — a China começou por anunciar que iria construir um hospital em apenas dez dias para tratar os doentes. Ao todo terá 25 mil metros quadrados. A inauguração está prevista para dia 3 de fevereiro. A unidade vai ter mil camas e médicos especializados em tratar o vírus.

Este sábado, perante o aumento do número de infetados (são quase 1.300 na China), o país anunciou que vai construir um segundo hospital, desta vez em 15 dias. Terá capacidade para 1.300 camas e chamar-se-á Leishenshan Hospital. As obras já começaram.

Além da China, a nova estirpe já chegou a outros 13 países: cinco casos detetados na Tailândia, cinco em Hong Kong, três em Singapura, três em Taiwan, dois em Macau, três no Japão, dois no Vietname, dois na Coreia do Sul, dois nos EUA, três em França, um no Nepal, quatro na Austrália e três na Malásia.

Hong Kong declara estado de emergência. E, em Wuhan, as ruas estão desertas

Este sábado, Hong Kong declarou o estado de emergência e vai manter encerradas as escolas durante as próximas semanas. Além disso, vai bloquear o acesso de comboios e aviões oriundos de Wuhan, que está de quarentena. Segundo a Associated Press, estão ainda de quarentena outras 16 cidades perto de Wuhan, que concentram 50 milhões de pessoas (mais do que a população de Nova Iorque, Londres, Paris e Moscovo em conjunto).

Vários vídeos nas redes sociais mostram as ruas de Wuhan completamente desertas. O jornalista Stephen McDonell, correspondente da BBC na China, tem relatado no Twitter o estado da cidade.

… e nos transportes que se dirigem a Wuhan.

Stephen McDonell mostra ainda as medidas de segurança por que passou para entrar em Wuhan. “Mediram-me a temperatura”, relata.

Já o Wall Street Journal avança que os Estados Unidos da América destacaram aviões charter para evacuar cidadãos americanos, incluindo diplomatas, da cidade de Wuhan.

Também este sábado, o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças divulgou um comunicado, referindo que a chegada do vírus à Europa “não era inesperada”, mas “o facto de estes casos terem sido identificados” prova “um elevado nível de preparação para prevenir e controlar possíveis infeções”. A entidade acrescentou ainda que é provável que mais casos sejam detetados nos próximos dias.

“A maioria dos países da UE têm planos e medidas a decorrer para conter este tipo de infeções e a Europa tem laboratórios bem equipados que podem confirmar casos prováveis, assim como hospitais preparados para tratar pacientes infetados.”

Presidente chinês diz que propagação do vírus está a “acelerar”

O presidente chinês, Xi Jinping, avisou este sábado que a propagação do coronavírus está a “acelerar”. O país está a enfrentar uma “séria situação”, disse, citado pela televisão estatal chinesa. Jinping reuniu-se com o governo no feriado do Ano Novo Lunar chinês.

“Temos a certeza de que seremos capazes de vencer esta batalha e derrotar a epidemia através da prevenção e do controlo”, afirmou.

Segundo estatísticas das autoridades de saúde pública de Wuhan, citadas por um correspondente na Ásia do Deutsche Welle, a maioria das vítimas mortais pelo vírus teriam entre os 60 e os 89 anos. Nenhuma das vítimas teria menos de 30 anos. A informação não foi, porém, ainda confirmada oficialmente.

Entretanto, o Governo chinês suspendeu as viagens organizadas na China e ao estrangeiro em resposta à epidemia. De acordo com a televisão pública chinesa CCTV, a partir de segunda-feira, as agências de viagens chinesas não poderão mais vender reservas de hotel nem viagens em grupo.

As autoridades chinesas consideram que o país está no ponto “mais crítico” no que toca à prevenção e controlo do vírus e colocaram em quarentena 13 cidades.