Klaus Fröhlich é o responsável máximo pelo I&D da BMW, ou seja, o seu centro de investigação e desenvolvimento. Daí saem todos os novos veículos e, sobretudo, as novas tecnologias de que vão usufruir os modelos que os clientes vão poder comprar dentro de uns anos, pelo que interessa saber o que o construtor alemão tem na manga.

De acordo com o que Fröhlich revelou numa entrevista à Automotive News, “a BMW acredita que, considerando o mercado global, em 2030 terá entre 20% e 30% de veículos electrificados” (híbridos plug-in e 100% eléctricos). Para depois especificar que, na Europa, serão “25% de híbridos plug-in (PHEV) e 25% de eléctricos a bateria (BEV)”.

Referindo-se em concreto aos eléctricos alimentados por bateria, o responsável pela I&D da BMW defende a opção pelo desenvolvimento de plataformas híbridas, aquelas que podem aceitar motores de combustão, motorizações híbridas e sistemas 100% eléctricos. Ainda que se saiba que sempre que existe uma solução multi-energia, esta impõe uma série de compromissos que a leva a servir todos os tipos de motorização, mas não a optimizar cada um deles especificamente. Daí que Klaus Fröhlich, que está por detrás da actual plataforma CLAR – que permite ter um X3 a gasolina, diesel, PHEV e eléctrico (o iX3) – defenda o impensável para muitos: “Para já, a nossa plataforma flexível é a melhor solução, mas dentro de 5 a 10 anos, se os eléctricos continuarem a evoluir, vamos desenvolver plataformas específicas para carros a bateria.”

Questionado sobre os principais problemas para os actuais modelos eléctricos, o técnico germânico apontou às baterias, nomeadamente à questão do carregamento. Se for “alvo de uma recarga rápida em cada 20, o aquecimento daí resultante pode retirar vida útil às células da bateria”, admitiu, referindo-se à tecnologia que actualmente a marca utiliza, pois a maioria dos carros da Tesla, por exemplo, carrega sem problemas sistematicamente em carga rápida (inicialmente a 120 kW e mais recentemente a 250 kW), especialmente as unidades fabricadas nos primeiros anos que, como tal, têm energia gratuita.

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Mas, para a BMW, um automóvel eléctrico não é sinónimo de um veículo a bateria, uma vez que os alemães estão igualmente atentos aos eléctricos cuja energia é produzida a bordo pelas células de combustível a hidrogénio. Em relação às fuel cells, Fröhlich adianta que estão “a desenvolver este sistema com a Toyota”, que tornou públicas as patentes para permitir que os concorrentes recuperem o atraso face ao líder desta tecnologia.

O responsável pela I&D admite que, de momento, “as células de combustível ainda custam 10 vezes mais do que um eléctrico alimentado por bateria, mas que a BMW espera em 2025 ter os custos nivelados, quando surgir a 3ª geração das suas fuel cells modulares”. Klaus Fröhlich está convencido que as células a hidrogénio podem ser a melhor solução a partir de 2025, tanto para automóveis ligeiros, como para veículos comerciais e camiões pesados. Tudo porque, ao contrário de um posto de recarga para veículos a bateria, um posto de recarga de hidrogénio pode abastecer, segundo o técnico da BMW, 100 camiões durante uma noite.