O Jimny é, muito provavelmente, o modelo mais emblemático da Suzuki. Ou, pelo menos, é o único que possui uma invejável lista de espera – em Portugal há clientes que aguardam cerca de um ano –, para o que certamente também contribui o reduzido volume de produção.

Com uma estética atraente e que faz lembrar um brinquedo, o jipe japonês é pequeno por fora e por dentro, além de pouco confortável, mas o rol de vantagens ultrapassa largamente os aspectos negativos, uma vez que poucos lhe fazem frente na capacidade de lidar com obstáculos difíceis em todo-o-terreno.

Bons ângulos de ataque, saída e ventral, para o que contribuem as suas pequenas dimensões, um sistema 4×4 robusto e eficiente, graças ao reduzido peso do conjunto, além de um preço acessível, tornaram o Jimny muito procurado, isto se o construtor tivesse suficientes unidades para entrega. Em 2019, o nosso país teve apenas direito a 58 unidades, para os primeiros que encomendaram, uma “gota de água” nos 464 veículos que a Suzuki comercializou entre nós.

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À reduzida produção junta-se a necessidade de as marcas cumprirem em 2020 um limite de emissões de CO2 imposto por Bruxelas, que atribui ao mercado uma média de 95g de CO2/km, valor que depois é adaptado à dimensão e ao peso dos veículos de cada fabricante, o que no caso da Suzuki aponta para um valor em torno dos 90,5g. Ora sucede que o Jimny, apesar do seu pequeno motor 1.5 atmosférico com 102 cv, emite 178g de CO2, o que o converte num modelo que não interessa vender, para evitar correr o risco de ultrapassar o limite das emissões.

Segundo a marca, as vendas do Jimny em Portugal deverão cair em cerca de 50%, apontando pois para cerca de 30 unidades, o que permitirá diluir pelos restantes modelos da gama os elevados valores de CO2, tanto mais que esses outros modelos já possuem, ou vão possuir ainda este ano, motorizações mild hybrid que permitem reduzir um pouco os consumos e, por tabela, o CO2.

Um 4×4 barato capaz de ir ao fim do mundo e… voltar

À semelhança dos restantes fabricantes, também a Suzuki vai controlar de forma apertada as emissões médias da gama que está a vender em território europeu, pelo que o volume de vendas das versões e modelos mais poluentes vai sempre depender da média de CO2 em cada momento. Ainda assim, a Suzuki acredita que a solução para contornar as regras da União Europeia passa pelo lançamento da uma versão comercial do Jimny, cujas emissões contam para a média da marca, mas com uma ponderação menos exigente.

Este Jimny comercial, com apenas dois lugares, deverá surgir em Portugal na segunda metade do ano, em princípio do 4º trimestre. Resta saber qual será o preço, uma vez que esta “versão de trabalho” será necessariamente mais barata e possuirá igualmente vantagens na recuperação do IVA para as empresas.