A Rússia anunciou esta quarta-feira o encerramento da sua fronteira terrestre com a China ao tráfego rodoviário e ligações ferroviárias, medidas para impedir que o novo coronavírus se dissemine no país.

A vice-primeira-ministra, Tatiana Golikova, acrescentou que as ligações por fronteira terrestre vão estar encerradas a partir da meia-noite desta quinta-feira e até 01 de março.

Golikova disse ainda que as autoridades vão tomar “nos próximos dias” uma decisão sobre as ligações aéreas entre a Rússia e a China, e que os estudantes chineses que estiveram de férias no decurso do Novo Ano Lunar apenas poderão retomar os seus estudos em território russo a partir de 1 de março.

Na Rússia ainda não foram detetados casos positivos do novo coronavírus, e as autoridades estão a reforçar as medidas de prevenção nas fronteiras e a efetuar testes hospitalares a todos os viajantes procedentes da China.

Lufthansa cancela voos de e para a China

A companhia aérea alemã Lufthansa cancelou esta quarta-feira todos os voos de e para a China, depois de detetar um caso de um passageiro infetado com o novo coronavírus, que já matou mais de 130 pessoas, segundo a imprensa alemã.

No voo LH780, que viajou de Frankfurt para Nanjung, na China, a companhia aérea detetou um homem que tossiu e que há duas semanas estivera em Wuhan, o epicentro da epidemia, tendo sido classificado como de risco pelas autoridades chinesas.

Os meios de comunicação alemães citam este caso como estando na origem da decisão de cancelamentos de voo da Lufthansa, de e para a China, não esclarecendo se o homem em questão está infetado com o vírus.

As autoridades chinesas examinaram os passageiros nas três filas à frente e atrás desse homem, bem como a tripulação que regressou a Frankfurt no voo seguinte. A Lufthansa disse que as autoridades alemãs já foram informadas deste caso.

Até agora, foram confirmados quatro casos de infeção pelo novo coronavírus na Alemanha.

Já esta quarta-feira várias companhias aéreas, entre as quais a também europeia British Airways, tinham decidido suspender ou reduzir os seus voos de e para a China continental com o objetivo de evitar a disseminação do coronavírus.

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) garantiu que está a acompanhar “de perto” a evolução do coronavírus em Wuhan e a colaborar com as principais organizações de saúde — como a Organização Mundial da Saúde — para limitar o risco de surto.

Em comunicado divulgado esta quarta-feira na sua página na Internet, a IATA explicou que as companhias aéreas estão preparadas para trabalhar com as autoridades de saúde pública quando há surtos de doenças transmissíveis e acrescentou que estão a ser aplicadas as recomendações da Organização Mundial da Saúde para limitar o risco de exportação ou importação da doença. A IATA integra cerca de 260 transportadoras aéreas, que representam 83% do tráfego aéreo total.

McDonald’s encerra centenas de restaurantes na China

Também o grupo McDonald’s indicou que encerrou “várias centenas” de restaurantes na província chinesa de Hubei, centro de uma epidemia do novo coronavírus, precisando que cerca de 3.000 estabelecimentos seus na China continuam abertos.

A situação continua “preocupante”, sublinhou um responsável do grupo numa conferência telefónica na sequência da apresentação de resultados financeiros.

A McDonald’s constituiu um grupo de trabalho para controlo e prevenção da epidemia, refletindo em particular sobre a forma de atuar nas cozinhas e a entrega de refeições aos que trabalham em hospitais.

O grupo sublinhou, no entanto, que o impacto nos seus resultados deve ser reduzido se a epidemia for contida no país. A China representa 9% dos fast-food da McDonald’s, mas apenas 4% a 5% das suas vendas globais e cerca de 3% do seu lucro operacional.

A cadeia norte-americana de cafés Starbucks já tinha anunciado na terça-feira o encerramento de mais de metade dos estabelecimentos que tem no país.

Na China, o novo coronavírus já fez 132 mortos e contaminou perto de 6.000 pessoas, de acordo com o balanço mais recente.

As quase 6.000 infeções confirmadas mostram que já foi ultrapassado na China o número de pessoas afetadas durante a epidemia da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS, na sigla em inglês), que atingiu 5.327 pessoas entre novembro de 2002 e agosto de 2003, segundo dados oficiais.

Além do território continental da China, foram reportados casos de infeção em Macau, Hong Kong, Taiwan, Tailândia, Japão, Coreia do Sul, Estados Unidos, Singapura, Vietname, Nepal, Malásia, Austrália, Canadá, Alemanha, França e Emirados Árabes Unidos.