Benito Mussolini. Quase todos o conhecerão como ditador, mas poucos saberão que lhe corria nas veias o gosto pela competição, tendo mesmo participado em diversas provas automobilísticas. Inclusivamente num Alfa Romeo 6C 1750, que adquiriu em 1930, época em que a Pininfarina ainda era conhecida como Stabilimenti Farina… Foi lá que o Alfa de corridas foi carroçado, para depois se fazer às pistas italianas com um ditador aos comandos.

Fabricado entre 1929 e 1933, o carro de corridas italiano montava um seis cilindros em linha de 1,75 litros, atmosférico ou sobrealimentado. Neste último caso, a versão era identificada como “Compressore”, mas continuava a valer-se dos préstimos de uma caixa manual de quatro velocidades. E foi com este cocktail que o Alfa Romeo 6C 1750 afirmou os seus créditos mundo fora, tendo-se sagrado campeão em provas como o Grande prémio de Bélgica e de Espanha, as 24 Horas de Spa e as Mille Miglia, que venceu em duas ocasiões.

Mussolini viria a aliená-lo poucos anos depois de o ter adquirido e, desde então, o 6C 1750 teve vários donos. A começar por Itália, mas a terminar em África, onde esta rara unidade foi encontrada após décadas sem qualquer registo do seu paradeiro.

Sabe-se que o Alfa foi comprado por um tal de Renato Tigillo em 1937 e que este o terá levado para Eritreia, uma ex-colónia italiana no nordeste de África. E por lá continuou a dar provas na competição, desconhecendo-se o que se terá passado para ter chegado ao ponto desolador em que hoje se encontra – quase irreconhecível.

O histórico Alfa está agora nas mãos de um reputado especialista britânico, Thornley Kelham, que acaba de anunciar uma empreitada titânica: devolver o Alfa Romeo 6C 1750 à sua condição original, ou seja, tal e qual como saiu da fábrica para ser entregue a Mussolini. Trata-se de uma tarefa hercúlea, pois faltam inúmeros componentes ao modelo, o que complexifica o rigor do restauro.