Rui Silveira, ex-administrador do BES, próximo de Ricardo Salgado, recusa testemunhar num processo em curso do Banco de Portugal alegando que, por ser advogado, não pode violar sigilo profissional, noticia o Público esta quarta-feira. A recusa do jurista em pedir à Ordem dos Advogados o levantamento do sigilo profissional está a fazer atrasar este processo, relacionado com a forma como Salgado terá usado uma sociedade suíça – a Eurofin – para desviar recursos do banco para empresas do Grupo Espírito Santo.

Ao longo de cinco anos, Salgado e a sua equipa terão conseguido, através de um processo complexo de emissão e recompra de títulos de obrigações, retirar 1,3 mil milhões de euros do BES para suportar a liquidez de empresas do grupo, o que fragilizou a solvência do banco que acabou alvo de uma medida de resolução aplicada em agosto de 2014. A acusação do Banco de Portugal aponta, também, que parte do dinheiro que viajou pela Eurofin acabou no “saco azul” que seria a ES Enterprises.

Foi o próprio Banco de Portugal que arrolou Rui Silveira como testemunha, mas o advogado, depois de pedir informações sobre o processo, argumentou que não podia prestar declarações para esta investigação porque estava em causa o sigilo profissional como jurista do Grupo Espírito Santo. Silveira não quis pedir à Ordem o levantamento do sigilo profissional, pelo que o supervisor pediu ao Tribunal de Santarém, que acabou por pedir à Ordem dos Advogados um parecer sobre esta matéria. É nesse ponto, a aguardar esse parecer, que está este processo.