A contratação de Haaland pelo B. Dortmund, quando teria equipas como o Manchester United ou a Juventus na sua pista, ainda hoje leva de forma inconsciente para um raciocínio em forma de conversa de café onde se pensa “Mas porque é que foi para ali?”. O dinheiro, não só para o próprio mas também (ou sobretudo) para o empresário Mino Raiola, terá a sua parte de influência. No entanto, foi uma viagem do jogador ao clube, conhecendo o estádio, o centro de estágios e as ambições desportivas, que desequilibrou a balança. Aliás, foi assim também que o Benfica (através de Rui Costa) terá convencido também Weigl a mudar-se para Portugal. Às vezes bastam apenas algumas palavras no momento certo para uma decisão ser tomada, como no caso de Bruno Fernandes.

Três jogos seguidos, três golos seguidos para Bruno Fernandes: depois do prémio, o “rapaz da velha guarda” voltou a marcar

De acordo com o Bleacher Report, a fórmula que está a ser utilizada pelo Manchester United para tentar convencer mais dois jogadores (o médio ofensivo Jack Grealish, do Aston Villa, e o avançado Jadon Sancho, internacional inglês do B. Dortmund) que entram na descrição “arrogant yet humble” que Solskjaer procura nas suas contratações foi a mesma que convenceu de vez o médio português que, segundo a publicação, terá informado os responsáveis leoninos que só aceitaria a equipa de Old Trafford poucos dias antes de assinar mesmo pelos red devils: apelar ao peso de três valores no lema como “História, herança e pedigree“. A escolha, essa, não podia ter sido mais acertada e, depois do nulo frente ao Wolverhampton que antecedeu uma paragem competitiva e um estágio em Espanha, Bruno Fernandes contribuiu com três golos noutros tantos jogos como titular.

“Quando se vai e se vê um jogo ao vivo, temos logo aquele sentimento do jogador. Aquilo que mais impressionou dele foi a sua personalidade. Sabíamos das suas capacidades e qualidades mas se o seguirmos e olharmos com mais atenção durante todo o tempo, percebemos que se preocupa muito, que quer muito ganhar, que tem ‘fogo’ no jogo. Pensei ‘Sim, este é o carácter que preciso’. Ele não vai desiludir ninguém. Deixar a equipa em baixo é deixa-lo a ele próprio em baixo. Quer ganhar e sabe que toda a gente é uma parte importante nisso”, comentou o técnico norueguês, na antecâmara do jogo dos oitavos da Taça de Inglaterra com o Derby County.

De forma inevitável, atendendo ao contexto do jogo e adversário, havia outra figura a recolher a principal dose de protagonismo: Wayne Rooney. O avançado formado no Everton que passou 13 temporadas no Manchester United (2004 a 2017) antes de regressar ao clube de origem e viver uma experiência na MLS ao serviço do DC United tem agora a dupla função de jogador e treinador adjunto do Derby County, secundando o também mediático Philip Cocu. Joga um pouco mais recuado, tem uma barba bem maior mas continua com a mira na baliza afinada, como se viu num livre direto defendido por Romero para canto na primeira oportunidade de golo.

O Manchester United, com maior domínio muito por ação de Bruno Fernandes, considerado pelos adeptos dos red devils como jogador do mês de fevereiro com 80% dos votos, acabou por ser eficaz e quase resolveu a eliminatória no primeiro tempo, com Luke Shaw a abrir o marcador num remate de fora da área após uma tentativa do médio português (33′) e Ighalo a fazer o 2-0 após assistência do lateral esquerdo com um bom trabalho na área (40′). No segundo tempo, o avançado fecharia as contas em 3-0 a 20 minutos do final quando Bruno Fernandes já tinha saído para a ovação dos muitos adeptos visitantes a pensar também no dérbi com o City do próximo domingo (67′) e antes de mais um enorme ato de reconhecimento mútuo entre Rooney e todos os espetadores presentes, já depois de mais um livre direto defendido de forma superior por Romero.