As cheias que atingiram esta sexta-feira várias zonas da capital timorense causaram “entre três a seis vítimas”, um número que as autoridades timorenses ainda vão atualizar, além de terem destruído casas e desalojado pelo menos 100 pessoas.

Algumas informações apontam entre três a seis vítimas. Continuamos a procurar informação para saber ao certo o número de vítimas. Há vítimas, mas não temos a certeza de quantas”, disse à Lusa o secretário de Estado da Proteção Civil timorense, Alexandrino de Araújo.

O responsável referiu que há “muitas coisas destruídas, incluindo casas” e as autoridades estão a retirar pessoas “para locais provisórios”.

Araújo falava à Lusa em Díli, já de noite, num dos espaços da Proteção Civil, no bairro de Bemori, perto do cemitério de Santa Cruz, onde estão alojadas temporariamente cerca de 100 pessoas de 20 famílias, que ficaram desalojadas devido às cheias.

Uma extensa zona da parte leste da cidade está sem luz, com as cheias a causarem danos a alguns serviços e a Eletricidade de Timor-Leste a optar por desligar outras, para evitar choques elétricos ou curtos circuitos.

Agostinho Cosme, diretor nacional de Gestão de Risco de Desastres, disse à Lusa que as famílias que ali vão pernoitar são apenas “da aldeia de Santa Cruz”, mas que há problemas noutros bairros em vários pontos da cidade.

“Amanhã vamos identificar exatamente quantas pessoas estão afetadas e responder com apoio de emergência”, referiu.

O responsável da Proteção Civil disse que este é um local provisório e que as autoridades estão a identificar outras zonas que possam acolher mais famílias afetadas.

Há muita gente, não apenas aqui em Santa Cruz, mas em quase toda a cidade. Ainda esta noite estamos a identificar os afetados mais graves que precisam de ser retirados para um local onde o nosso povo ainda possa ficar”, explicou Araújo.

“Amanhã encontraremos outras alternativas dando apoio de emergência”, disse, confirmando que há muitas zonas destruídas.

No sábado, explicou, vão começar as tarefas mais sérias de limpeza que abrangem várias zonas da cidade e espaços como a Presidência da República, a Escola Portuguesa de Díli — uma das instituições mais afetadas -, a Universidade Nacional Timor Lorosa’e (UNTL) e até a casa do ex-Presidente da República, Xanana Gusmão, que também ficou inundada.

“É preciso que todos os ministérios relevantes se reúnam de emergência para cada um assumir as suas responsabilidades, e continuar a ver que apoios de emergência são necessários. Isto é muito urgente”, afirmou.

De visita à Escola Portuguesa de Díli, o ministro das Obras Públicas, Salvador Soares, disse à Lusa que as equipas do Governo, incluindo do Instituto de Gestão e Equipamentos estão já no terreno, onde continuarão durante a noite.

“Estamos a avaliar a situação que temos agora e obviamente a Escola Portuguesa é um dos problemas. Estamos a mobilizar equipamento pesado para começar a atuar já para que não haja mais danos caso volte a chover”, disse.

O governo está a verificar “todos os danos que foram feitos” e a avaliar o que é possível fazer

Questionado sobre as condições de drenagem da cidade e da própria ribeira de Bidau, que rompeu as margens e causou os maiores danos hoje, Salvador Soares disse que o desenho detalhado do Plano Diretor de Drenagem foi concluído, mas precisa de ser implementado.

“O plano diretor custará 250 milhões de dólares e temos que alocar fundos para isso”, disse. “Para já estamos a tentar o melhor possível para normalizar a situação com os recursos que temos”, disse.

A construção desenfreada e desregulada, fraca manutenção das zonas de escoamento de águas e a construção de casas nas bermas das ribeiras e, em muitos casos abaixo da cota da estrada, agravam os problemas em caso de fortes chuvas.

No caso da ribeira em si, residentes locais denunciam que obras recentes podem ter ajudado a enfraquecer as margens, fazendo cair mais pedras e outro material para o leito que estava igualmente assoreado em várias partes.

Isso implicou que o volume de água tenha arrastado uma quantidade grande de detritos, que foram engrossando ao longo do canal, bloqueando a forte corrente que galgou as margens.