A Federação Portuguesa de Canoagem defende a realização dos Jogos Olímpicos Tóquio2020 no outono para todos competirem em “iguais condições” e está apreensiva pelos atletas portugueses que ainda não garantiram o apuramento, disse esta segunda-feira à Lusa o presidente.

Seria mais justo para todos o adiamento durante uns meses, para o outono, por exemplo, pois o inverno no Japão é rigoroso”, sublinhou Victor Félix, face à possibilidade da prova que se realiza no Japão poder ser adiada ou cancelada devido à pandemia da Covid-19.

Em Portugal, os canoístas já apurados e os que ainda esperam pelo apuramento estão em “isolamento social, mas a treinar”, mas Victor Félix explicou que há países cujos atletas não estão a treinar. “Em primeiro lugar está a saúde dos atletas e se a data for mantida nem todos os atletas estão em iguais condições”, vincou.

O adiamento para 2021 não é razoável, pois os atletas têm estado focados e a trabalhar nos últimos quatro anos, o que causaria uma frustração enorme, acrescentou. O responsável pela Federação Portuguesa de Canoagem manifestou-se também apreensivo pelo facto de nem todos os atletas portugueses terem o apuramento garantido.

Para Victor Félix, se os Jogos Olímpicos se mantiverem nas datas previstas pode haver apuramento pelo ranking, como por exemplo na categoria de “slalom”, ou pelo Campeonato do Mundo de Canoagem de 2019, o que irá “penalizar alguns atletas portugueses”.

Aguardamos com expectativa a decisão do Comité Olímpico Internacional, e temos acompanhado junto do Comité Olímpico de Portugal. As instruções que temos é para mantermos o foco na preparação pois para já a decisão é manter os jogos na data prevista e é isso que estamos a fazer até indicação em contrário”, assegurou.

Apesar do isolamento social, os canoístas portugueses têm mantido os treinos junto à água e com os seus treinadores. “Ficamos satisfeitos com o regime excecional dos atletas olímpicos e paraolímpicos. Pois efetivamente também estão no exercício do que é a sua competência profissional e necessitam de exercer o seu trabalho que é treinar”, concluiu.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da Covid-19, já infetou mais de 341 mil pessoas em todo o mundo, das quais mais de 15.100 morreram. Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.