Brad Edwards é um dos advogados envolvidos no caso de abuso sexual de menores que envolve o milionário norte-americano Jeffrey Epstein e a sua rede de contactos e acaba de lançar um livro. Em “Relentless Pursuit” (perseguição incansável) faz revelações sobre o funcionamento da teia e sobre algumas presenças, entradas e saídas da mansão de Epstein em Nova Iorque. Entre eles, o príncipe André.

Segundo adianta o britânico The Sun, o livro dá a entender que o filho de Isabel II, além de amigo e visita de casa, tinha consciência do esquema operado pelo milionário, uma vez que chegou a ficar alojado na residência de Epstein em simultâneo com “uma mulher que acabou por se tornar numa multimilionária recrutadora de raparigas”. O autor do livro refere-se a uma jovem russa, na casa dos vintes, que fazia parte do esquema de abuso sexual de menores. Na versão de Brad Edwards, o príncipe inglês sempre esteve ciente do que se passava, havendo inclusive imagens de André a sair de casa de Epstein, em dezembro de 2010.

Courtney Wild e o advogado Brad Edwards, no tribunal em julho de 2019 © JOHANNES EISELE/AFP via Getty Images

Durante mais de uma década, Edwards foi advogado de algumas das vítimas desta rede, a começar por uma mulher chamada Courtney Wild, que o procurou para denunciar os casos de abuso sexual de raparigas menores. A partir do primeiro caso, o advogado montou o próprio escritório e aprofundou a investigação.

O livro fala sobre outras figuras já conhecidas do caso, nomeadamente de Ghislaine Maxwell, responsável por angariar jovens raparigas para o esquema de tráfico (segundo o livro, a dupla Epstein e Maxwell era conhecida como Bonnie & Clyde). “Epstein tinha uma apetite insaciável por miúdas novas e Ghislane tinha uma habilidade especial para encontrá-las”, refere o autor. Segundo o livro, esta foi a mulher que pôs o milionário em contacto com a sua primeira vítima, em 1994 — uma menina de 13 anos encontrada num acampamento de verão.

Outras das protagonistas é Virginia Giuffre, que em setembro afirmou publicamente ter sido abusada por André e Epstein (que aí já se tinha suicidado na prisão, aos 66 anos) quando tinha apenas 17 anos. Segundo conta o advogado, chegou a ser pedido a Virginia que engravidasse de Epstein e que desse o bebé depois de dar à luz.

“Relentless Pursuit”, o livro de Brad Edwards, publicado pela Simon & Schuster

Brad Edwards afirma ainda que Epstein chegava a abusar sexualmente de três jovens por dia. “Epstein construiu uma rede de ligações políticas e globais. Durante décadas, usou a sua enorme fortuna para explorar mulheres e meninas, algumas com menos de 14 anos”, lê-se ainda no livro.

As evidências da amizade com Epstein foram surgindo aqui e ali, embora André tenha negado ter conhecido da rede de tráfico e abuso sexual de menores que o milionário operava e, consequentemente, ter tido relações com Virginia Giuffre. O príncipe foi, ainda no ano passado, sinalizado pelo FBI na qualidade de testemunha, mas no final de janeiro ainda não tinha prestado quaisquer declarações.