Cerca de 80 cidadãos brasileiros, a maioria turistas, retidos em Portugal por causa da pandemia provocada pelo novo coronavírus, aguardam no aeroporto de Lisboa explicações da companhia aérea Latam para o cancelamento do voo programado para esta quarta-feira de manhã. Questionada pela agência Lusa, a Latam – Linhas Aéreas Brasil disse que devido a uma “restrição operacional determinada pelo aeroporto de Lisboa” teve que readequar o planeamento de voos.

Em resposta a questões colocadas pela Lusa, a Latam disse que “manteve a sua operação regular para Lisboa até 22 de março”. No entanto, “devido a uma restrição operacional determinada pelo aeroporto de Lisboa que proíbe as companhias aéreas de manterem a aeronave estacionada no aeroporto, foi necessário readequar o planeamento de voos para o destino”, acrescentou a empresa.

A companhia assegurou que “não está medindo esforços para apoiar os passageiros” que foram abrangidos por esta situação. Além disso, adiantou que neste momento a sua programação para a rota Lisboa-Guarulhos mantêm-se, havendo assim voos nos dias 27, 29 e 31 de março.

Questionado sobre a concentração de brasileiros a que esta quarta-feira se assiste no aeroporto de Lisboa, o ministro conselheiro da embaixada do Brasil em Portugal, Luciano Mazza de Andrade, explicou que os cerca de 80 passageiros com bilhetes da Latam – Linhas Aéreas do Brasil tiveram a indicação na terça-feira à noite que a companhia aérea iria realizar o voo esta quarta-feira de manhã.

“Esse voo, que chegou a constar da lista das programações de hoje de manhã, não se realizou”, revelou o conselheiro, acrescentando que foi cancelado sem que os passageiros tenham recebido da companhia aérea uma explicação. Por isso, Mazza de Andrade frisou: “Agora, esse aglomerado de pessoas está à espera de uma explicação da Latam”.

O diplomata referiu que o voo não constava dos registos da embaixada, que tem estado a acompanhar e a coordenar com as entidades brasileiras e portuguesas, bem como com operadoras turísticas e companhias aéreas o repatriamento de cidadãos brasileiros que ficaram retidos em Portugal, alguns em situação “vulnerável”, por causa das medidas de combate à propagação da pandemia de covid-19.

“No caso de hoje trata-se de passageiros com passagens da Latam”, vincou.

A embaixada do Brasil em Lisboa revelou que na segunda-feira ficou concluído o repatriamento de 8.800 turistas brasileiros, retidos em Portugal por causa das medidas de combate ao novo coronavírus, mas admitiu que ainda assim faltava dar resposta a mais 1.500.

“Com os dois voos que partem hoje [segunda-feira] à noite para o Brasil, um charter, fretado, e outro regular, concluiremos o repatriamento de 8.800 cidadãos brasileiros, mas ainda teremos mais cerca de 1.500 que aguardam por uma solução”, afirmou então à Lusa Luciano Mazza de Andrade.

O processo de repatriamento dos 8.800 turistas brasileiros estava a ser feito desde 16 de março, e o diplomata lembrou que, antes da pandemia de Covid-19, havia um total de 60 voos por semana de Lisboa para vários destinos do Brasil. Mas esta semana existiriam “apenas cinco” voos regulares.

É isto que tem criado dificuldades ao regresso de muitos brasileiros que se encontravam no país em turismo quando começaram a ser tomadas medidas de prevenção e combate contra a propagação do novo coronavírus, quer em Portugal quer noutros Estados europeus, e depois no Brasil.

“Mas a atitude de algumas companhias aéreas também não foi a melhor”, criticou Luciano Mazza de Andrade.

Na segunda-feira, além dos 1.500 para os quais ainda faltava encontrar uma solução para o regresso ao país, estavam ainda a aguardar por repatriamento 700 brasileiros que se encontravam num navio cruzeiro que atracou no domingo à noite no Porto de Lisboa.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da Covid-19, já infetou perto de 428 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 19.000. Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

O continente europeu, com mais de 226.000 infetados, é aquele onde está a surgir atualmente o maior número de casos, e a Itália é o país do mundo com mais vítimas mortais, com 6.820 mortos em 69.176 casos registados até terça-feira.

Vários países adotaram medidas excecionais, incluindo o regime de quarentena e o encerramento de fronteiras.