No início da semana vai ser lançada uma campanha de âmbito nacional que prevê a realização de 10 mil testes, ao longo de várias semanas, a funcionários e utentes dos lares de terceira idade do país. Em média, serão feitos cerca de 300 testes por dia e o plano vai começar a ser executado nas regiões de Lisboa, Évora, Guarda, Aveiro e Algarve.

A informação foi avançada este domingo por Luís Marques Mendes no seu habitual comentário na SIC. A iniciativa é do ministério da Segurança Social em parceria com o Instituto de Medicina Molecular, a Cruz Vermelha Portuguesa e ainda as universidades de Aveiro e do Algarve, explicou o comentador. Entretanto, o Jornal Público avançou que a ação vai arrancar já esta segunda e focar-se numa primeira fase nos profissionais que trabalham nos lares e que entram e saem, constituindo possíveis focos de contaminação vindos do exterior.

A ministra do Trabalho e da Solidariedade Social, Ana Mendes Godinho, acrescenta ao jornal que foi feita uma “análise de risco em função dos concelhos onde há mais lares e onde há mais lares com maior número de pessoas”. A recolha de amostras será feita nos lares, sobretudo pela Cruz Vermelha, e entregue em laboratório. Para avaliar os resultados será usado um kit de diagnóstico do vírus desenvolvido pelo Instituto de Medicina Molecular.

O desenvolvimento deste kit tinha já sido revelado pelo matemático Jorge Buescu que este domingo partilhou no Facebook a informação de que ia ser desenvolvido em grande quantidade para ser aplicado em testes aos lares de idosos. Nos últimos dias, multiplicaram-se os casos de infeção nestas instalações em utentes e funcionários, bem como o número de óbitos.  O matemático adiantava ainda que o Citeve (Centro Tecnológico das Indústrias Têxtil Vestuário) redirecionou a sua atividade para produzir equipamentos de proteção individual, em colaboração com a indústria.

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No seu comentário semanal, Luís Marques Mendes aproveitou para elogiar a prestação do Governo na última semana porque “mudou, corrigiu e melhorou”, para depois dar uma outra novidade quanto à questão do lay-off, “aquela medida de, em caso de necessidade, suspender temporariamente os contratos de trabalho”. “O modelo hoje é mais simples, fácil , transparente e automático”, o que vai beneficiar sobretudo as pequenas e médias empresas, garantiu. Anunciando que o pagamento será feito para as empresas a cada dia 28.

“O ministro da Economia disse que ia estabelecer um dia por mês, um dia em que a Segurança Social fazia a transferência para as empresas relativamente ao lay-off para pagar aos trabalhadores. O dia estabelecido é o 28 de cada mês”, avançou.

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A terceira novidade da noite foi também ainda relativa à Covid-19. Lembrando que é preciso ter “uma esperança controlada”, Marques Mendes disse haver uma empresa portuguesa, a Hovione, entre as 40 empresas que integram um consórcio que está a tentar produzir uma vacina contra o novo coronavírus. “Os especialistas dizem que menos de dois anos é quase impossível”, afirmou, explicando que este processo é sempre moroso.

Apesar de ter consciência que tão depressa não existirá uma vacina que trave a propagação deste novo vírus, o ex-líder do PSD mostrou-se positivo: “Do ponto de vista do número de infetados, a situação não deixa de ser crítica, mas em vez de nos estarmos a aproximar de Itália ou de Espanha, estamos bem afastados. O numero de infetados vai crescer mais mas, nem de longe nem de perto, pelo menos para já, os números apontam a qualquer tipo de tragédia como em Itália e em Espanha”.

Marques Mendes criticou, por outro lado, o Governo por em pouco tempo ter referido três momentos diferentes para o pico da pandemia em Portugal. “Devia ter evitado, no espaço de duas ou três semanas, falar-se de datas diferentes, não gera tranquilidade”, afirmou. Embora esclarecendo que esta é uma boa notícia do ponto de vista da saúde pública, uma vez que significa que “a subida do número de infetados faz-se não num pico muito acentuado, mas numa espécie de planalto”. “Significa que os hospitais não entram em rutura”, defende.

Já quanto à recuperação económica, essa acontecerá mais tarde. “Do meu ponto de vista, o estado de emergência vai ser renovado pelo menos duas vezes, vai provavelmente ser renovado até ao fim de abril, início de maio”.

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Marques Mendes olhou também para o Conselho Europeu desta semana, com quatro países a inviabilizar uma solução europeia para a crise e com António Costa a considerar “repugnante” a posição do ministro das Finanças holandês, e considera que este pode “ser o princípio do fim da UE”. O facto de os países não se entenderem numa estratégia e de alguns não quererem apoiar outros, poderá criar cisões e até saídas da União Europeia para a recuperação económica que se espera após a pandemia.

“Mais sério do que a doença, do que este vírus que vai passar, mais sério do que a economia, a crise vai ser séria mas vamos vencê-la, é só nós deitarmos fora o projeto de uma geração, que é um projeto de paz, segurança e prosperidade para a Europa, por causa da mesquinhez e do egoísmo de alguns países. Temos de falar a verdade e António falou e falou bem”, disse.