Portugal tem agora um total de 8.251 casos confirmados de Covid-19, segundo o Relatório da Direção Geral da Saúde sobre a situação epidemiológica em Portugal desta quarta-feira, dia 1 de abril. Houve um aumento de 808 casos, num acréscimo percentual de 11%, menos 5% do que na véspera onde se registou a maior subida de casos em termos brutos (1.035) também inflacionada pela quebra “anormal” de registos que se tinha verificado no primeiro dia da semana. Já o número de mortes subiu de 160 para 187, naquele que foi o maior aumento de vítimas em 24 horas desde o início da pandemia (27) e que fez também subir a taxa de mortalidade para 2,27% (2,15% na véspera). O número de casos recuperados, que se tinha mantido em 43 nos últimos seis dias, voltou a não sofrer qualquer alteração. Mas há outros dados relevantes a registar na informação conhecida.

Para se perceber a evolução da taxa de novos casos, é possível fazer uma comparação com as últimas semanas para se ver esse abrandamento: entre 16 e 22 de março, os aumentos de testes positivos por dia foram de 35%, 35%, 43%, 22%, 30%, 25% e 25%; entre 23 e 29 de março foram de 29%, 15%, 27%, 18%, 20%, 21% e 15%. Agora, nestes primeiros três dias da semanas, as subidas foram de 7,5%, 16% e 11%. Ou seja, apesar do número elevado de novos casos em termos brutos (hoje foram 808, ontem houve um novo máximo de 1.035), que já eram “esperados” nesta fase de combate à pandemia no país, a curva da taxa de novos casos tem sofrido uma descida.

Portugal tem o maior aumento bruto de casos num dia e contactos em vigilância disparam 68%

Em paralelo, voltou a registar-se uma maior incidência de óbitos nas regiões Norte e Centro (12 cada, num total de 24 em 27), onde se concentram quase 80% das vítimas de Covid-19 em Portugal; por outro, 96% das vítimas foram pessoas acima dos 70 anos (26 em 27), confirmando a maior taxa de letalidade entre os mais velhos, como foi referido também pelo secretário de Estado da Saúde, António Sales; por fim, nota ainda para novo aumento no número de casos internados e cuidados intensivos, sobretudo a subida de 22% em casos em UCI.

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O que tem mesmo de saber sobre o coronavírus em Portugal

A análise do Relatório da Direção Geral da Saúde sobre a situação epidemiológica em Portugal desta quarta-feira, dia 1 de abril, pode ser feita através de vários pontos distintos, a saber:

Número total de casos, mortes e recuperados

Maior aumento de mortes num dia, taxa de mortalidade sobe para 2,27%. O Relatório da Direção Geral da Saúde sobre a situação epidemiológica em Portugal desta quarta-feira teve como nota mais negra o maior aumento de mortes em apenas 24 horas desde que começou a pandemia (27), subindo o número de vítimas de Covid-19 no país para 187 (com uma taxa de mortalidade de 2,27%, mais 0,12% do que na véspera). Existem agora 8.251 casos confirmados, um aumento bruto de 808 num acréscimo percentual de 11%, menos 5% do que na véspera onde se tinha registado a maior subida de casos em termos brutos (1.035). Por fim, mantêm-se os 43 casos recuperados, valor que não sofreu no Boletim qualquer alteração ao longo dos últimos sete dias.

Caracterização dos óbitos

Maior incidência de mortes no Norte/Centro e acima dos 70 anos. Portugal registou mais 27 mortes nas últimas 24 horas, naquele que foi o pior dia no país a nível de aumento de vítimas, com a incidência maior a fixar-se ainda mais nas pessoas acima dos 80 anos, com 23 casos. Mantém-se um outro dado, neste caso mais evidente: 26 dos 27 óbitos nas últimas 24 horas registaram-se em pessoas acima dos 70 anos (96%). De acrescentar que continuam a existir apenas dois casos, ambos de mulheres, abaixo dos 50 anos, entre as vítimas com menor idade. No total de óbitos por Covid-19 em Portugal, 120 registaram-se em pessoas acima dos 80 anos. A nível de regiões, o Norte teve mais 12 vítimas (total de 83), o mesmo número registado no Centro (total de 52). Lisboa e Vale do Tejo teve mais três vítimas, num total de 38, a que se acrescentam ainda as duas vítimas no Sul.

Caracterização do número de casos por região

Açores tiveram 44% dos casos confirmados nos últimos três dias. O Norte voltou a ser a região com o maior aumento de casos em termos brutos, 458 num acrescento de 10% para um total de 4.452, mas a maior subida registou-se no Centro, com mais 132 casos num total de 1.043 (14%). Em Lisboa e Vale do Tejo, o aumento foi de 11%, 199 casos num total de 1.998. Nota positiva para a situação no Alentejo e no Algarve, com subidas que contrariam um período de maior expansão de infetados: o Algarve registou mais nove casos (7%, num total de 146), o Alentejo teve mais quatro casos (8%, num total de 54). Já nas ilhas, o cenário é diferente: enquanto que na Madeira houve apenas mais dois casos em relação a ontem (total de 48), os Açores continuam a crescer de forma mais expressiva, tendo mais oito casos num total de 52 (15,4% de aumento). Contas feitas, 44% dos casos nos Açores registaram-se nos primeiros três dias desta semana.

Nota: já depois da publicação do Boletim da DGS, e através de um comunicado, a Autoridade de Saúde dos Açores elevou para 57 o número de casos positivos de Covid-19 na região, com sete novos casos detetados em São Miguel e dois na Graciosa, que assim regista os primeiros doentes infetados.

Número de países e casos importados

Mais 28 casos importados, em especial de Espanha e Estados Unidos. O Boletim da DGS mantém os 39 países mas aumenta o número de casos importados para 542, mais 28 do que na véspera. Espanha foi o país com mais casos novos, oito num total de 142, seguido dos Estados Unidos, que passam de seis para 11 casos. Além destes, confirmaram-se os sucessivos aumentos mais ou menos graduais dos casos vindos do Reino Unido (três, num total de 52), França (dois, num total de 100), Países Baixos (dois, num total de 13) e Emirados Árabes Unidos (um, num total de 39). Registaram-se ainda subidas nos casos de Brasil (dois, num total de 13), Argentina (dois, num total de nove), Suíça (um, num total de 33) Itália (um, num total de 29) e Canadá (um, num total de cinco).

Número de casos por grupo etário

Faixa acima dos 80 anos voltou a ter o maior aumento por grupo etário. Se esta segunda-feira o maior aumento tinha sido nos casos acima dos 70 anos, com 30% dos novos casos, esta terça-feira as maiores concentrações estiveram entre os 30 e os 50 anos, com 369 novos casos num total de quase 36%, e entre os mais idosos a percentagem de casos entre pessoas acima dos 70 anos baixou de 30% para 20%. Por aqui se percebe que não existe nenhuma tendência particularmente definida a nível de grupos etários, sendo que hoje voltou a ser a faixa acima dos 80 anos a registar a maior subida bruta (mais 155 casos). O grupo entre os 40 e os 49 anos continua a ser aquele que tem maior número de casos, num total de 1.520 (mais 137 hoje).

Número de casos internados e nos cuidados intensivos

Número de casos nas UCI aumenta 22%, num total de 230. Contrariando aquilo que tem sido habitual e que se procura em Portugal nesta nova fase de combate à pandemia, confirmou-se algo que já se tinha verificado no início da semana, ainda que com um crescimento menos acentuado do que esta quarta-feira: há mais 99 internados em relação a ontem, num total de 726 (mais 16%), e mais 42 casos em Unidades de Cuidados Intensivos, num total de 230 (mais 22%, uma subida acima do normal).

Número de casos suspeitos, não confirmados, em vigilância e a aguardar resultados

Variação dos contactos em vigilância baixa para 6%. Os números continuam a mostrar que estão a ser feitos mais testes mas as variações em alguns dos campos foram pequenas, neste caso todas entre 5% e 16%. Os contactos em vigilância pelas autoridades de saúde, que na véspera tinham aumentado 68%, desceram agora para apenas mais 5% (1.015, num total de 20.275), ao passo que o número de casos a aguarda resultados quebrou a tendência de descida e subiu 8% (mais 347, num total de 4.957). Os casos suspeitos tiveram um aumento de 14%, passando para 59.457 (mais 7.371), ao passo que os casos não confirmados subiram 16% para 46.249 (mais 6.216).

Caracterização dos casos por género

Número de mulheres infetadas continua nos 55%. Continua a confirmar-se uma tendência de distribuição por género em Portugal: a percentagem de mulheres infetadas tem vindo a subir de forma ligeira e gradual, com mais 90 mulheres do que homens infetados apenas em relação a este novo boletim (na véspera tinham sido 119) num total de mais 825 casos positivos em mulheres (55% do total dos casos no país, 8.251).

Número de casos por concelho

Estabilização de valores de crescimento, com Vila Nova de Gaia a ter o maior aumento. Após a confirmação por parte da Direção Geral da Saúde que tinham existido erros em contagens de casos a nível de concelhos, os valores apresentados esta quarta-feira são os mais “estáveis” que se registaram esta semana: Vila Nova de Gaia, terceiro concelho com mais casos, teve o maior aumento do dia (49, num total de 387); Lisboa continua a ser o concelho com mais casos (subiu 41, num total de 546) seguido do Porto (mais 43, num total de 505); Gondomar, Maia, Matosinhos e Ovar tiveram subidas entre os 30 e os 40 casos cada.

Nota: Salvador Malheiro, presidente da Câmara de Ovar, município que desde 17 de março está em estado de calamidade pública devido à Covid-19, tinha referido esta terça-feira que a doença já provocara 277 infetados e 13 mortes entre os 55.400 habitantes, um valor diferente dos 194 apresentados pela DGS.

Caracterização dos casos confirmados por sintomas

Tosse e febre continuam como os principais sintomas. Os sintomas apresentados entre os casos de testes positivos (com informação respeitante a 77% desses casos, mais 1% do que ontem, como é referido) mantêm-se quase inalterados em relação aos últimos dias, com uma preponderância maior de tosse (61%, menos 1%) e febre (49%, menos 1%), seguidas de dores musculares (33%, menos 1%) e cefaleias (29%). Fraqueza muscular (24%) e dificuldades respiratórias (19%) são os sintomas com menor taxa de incidência.