Mais de 700 pessoas de 15 lares do Porto foram testadas à covid-19, sem qualquer positivo detetado até ao momento, indicou este sábado a a autarquia portuense, apontando que o rastreio inclui os cuidadores das instituições.

Em comunicado, a Câmara do Porto, liderada pelo independente Rui Moreira, aponta que “mais de 700 pessoas em 15 lares” foram rastreadas no âmbito de um programa da autarquia que conta com o apoio do Hospital de São João e dos dois Agrupamentos de Centros de Saúde (Ocidental e Oriental).

“O rastreio, que inclui também os cuidadores que lidam diariamente com os idosos, foi possível graças a mais de cinco mil ‘kits’ de testes PCR produzidos em Xangai e oferecidos à autarquia pela Fundação Fosun e pela Gestifute, diretamente entregues pelo Município ao Hospital de São João esta semana”, especifica a autarquia.

Na mesma nota, a Câmara do Porto avança que entregará os ‘kits’ que sobrarem deste programa de rastreios ao Sistema Nacional de Saúde (SNS) para que este os use de “acordo com as suas necessidades”.

A autarquia especifica ainda que, no âmbito deste programa de rastreios, não obteve qualquer caso positivo, estando em causa os resultados dos dois primeiros dias de testes (29 e 30 de março), “aguardando-se os resultados a partir de quarta-feira”.

“Até esta sexta-feira, tinham sido testados todos os idosos e funcionários de 15 lares. A escassez de zaragatoas no país atrasou o programa no início da semana, mas o problema encontra-se já resolvido”, garante a autarquia, acrescentando que nos próximos dias o programa será “acelerado”, com os técnicos dos dois agrupamentos de saúde.

A expectativa da autarquia é concluir os testes a todos os lares do concelho até ao final da semana.

A par do programa de rastreios, e no que diz respeito ao plano de contingência dedicado a lares de idosos, a autarquia do Porto recorda que a Pousada da Juventude e o Seminário de Vilar, num total de cerca de 200 camas, estão “prontos” para acolher idosos que testem negativo, mas cujos lares não apresentem condições de contenção ou os seus funcionários estejam em quarentena e não possam fazer o acompanhamento dos utentes.

Nestes centros de acolhimento, estão preparados, garante a autarquia, “serviços de retaguarda, alimentação e acompanhamento permanente, em regime de contingência, a todos os que necessitarem”.

“Os técnicos têm encontrado no Porto vários lares bem estruturados, alguns deles com planos de contingência sólidos e bem confinados, o que evita não apenas a infeção como a deslocalização dos idosos”, é ainda frisado na nota camarária.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de um milhão de pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 57 mil.

Dos casos de infeção, mais de 205 mil são considerados curados.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

Em Portugal, segundo o balanço feito na sexta-feira pela Direção-Geral da Saúde, registaram-se 246 mortes, mais 37 do que na véspera (+17,7%), e 9.886 casos de infeções confirmadas, o que representa um aumento de 852 em relação a quinta-feira (+9,4%).

Dos infetados, 1.058 estão internados, 245 dos quais em unidades de cuidados intensivos, e há 68 doentes que já recuperaram.

Portugal, onde os primeiros casos confirmados foram registados no dia 02 de março, encontra-se em estado de emergência desde as 00:00 de 19 de março e até ao final do dia 17 de abril, depois do prolongamento aprovado na quinta-feira na Assembleia da República.